Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, aproximadamente 44% (74.994.159) da população (169 milhões de pessoas) é solteira. A partir dos trinta anos, são 18.745.663 habitantes, o equivalente a 11% do total. No Paraná, quase 37% da população (3.616.912) nunca casou e, em Curitiba, esse percentual chega a 40% (634.579).

Esses números comprovam que está se tornando comum as pessoas, principalmente aquelas com mais de trinta anos, continuarem morando na casa dos pais e deixarem o casamento em segundo plano. Com a evolução da mulher na sociedade, a questão profissional foi valorizada e se tornou a maior prioridade, também para o sexo masculino.

Para a psicóloga Priscila Guelmann, a permanência na casa dos pais é um sinal de imaturidade emocional. “Continuar morando com a família ficou mais útil do que sair e manter-se sozinho”, avalia. Já a solteirice é fruto da transformação da mulher, principalmente no setor profissional, e do tipo de relacionamento amoroso presente hoje em dia, sem compromissos. “Isso adiou a construção da própria família. Os homens seguiram as mulheres e também estão adiando a saída de casa”, conta Priscila.

De acordo com ela, as pessoas que estão solteiras têm diferentes maneiras de tratar a solidão, quando ela se faz presente. “Uns se afundam no trabalho, passando mais tempo que o necessário. Outros saem na noite e se relacionam com várias pessoas, sem profundidade. E há ainda aqueles que vão pelos caminhos ruins, como o álcool e as drogas”, indica Priscila. Ela comenta que a independência financeira e a vida social intensa faz as pessoas acreditarem que a vida está completa dessa maneira.

Sonho não acabou

Apesar da valorização extrema do trabalho, as pessoas solteiras com mais de trinta anos ainda pensam em casamento e filhos. “No fundo, todo mundo tem esses sentimentos”, afirma a psicóloga. É o que acontece com a advogada Sandra Pokrywiecki, de 34 anos. Ela pensa nisso, mas atualmente se dedica somente à profissão. “Eu tenho vontade. Casamento, porém, nem passa pela minha cabeça nesse momento. Estou fazendo especialização e, enquanto não me firmar no trabalho, não quero casar e ter filhos”, diz.

Sandra namora há três anos um rapaz de trinta anos que, assim como ela, ainda mora com os pais. A advogada conta que continua na mesma casa porque gosta do convívio familiar. “Estou bem satisfeita com a minha condição de solteira. Além disso, tem a segurança financeira. Gastaria muito dinheiro fora e, na casa dos meus pais, arco com as despesas”, aponta. “Meus pais gostam que eu esteja lá e isso também traz segurança para eles. No dia que sair, não será necessariamente para casar, mas quando sentir que a minha família está bem e eu estiver com uma situação financeira estável”, explica Sandra.

De acordo com Priscila, as pessoas vão voltar aos poucos a valorizar o casamento e a formação da própria família. “Não será como antes, com a obrigação da mulher casar e cedo. Há um movimento para que isso seja modificado, pois hoje existe uma valorização emocional ligada à melhora da qualidade de vida”, acredita a psicóloga.