Seja por um desejo antigo de empreender ou pela oportunidade forçada criada pelo desemprego, muitos brasileiros têm enxergado nas microfranquias – modelos de negócio já testados por outras pessoas e que possuem investimento de até R$ 80 mil – a chance de garantir uma fonte de renda e de conquistar a tão sonhada independência financeira.

Pedagoga de formação, a microempresária é Maria do Rocio Hansen Mehret, 55 anos, foi atraída pela proposta e há pouco mais de sete meses abriu em Campo Largo uma clínica de estética, franqueada à rede Emagrecentro, presente em 20 estados brasileiros. “Tive uma escola (de ensino médio), que vendi e logo depois, comecei a procurar um novo negócio, uma franquia. Fiz pesquisas pela internet e encontrei esta, da área da beleza, com a qual me identifico, afinal, sempre gostei de me cuidar. E com a empresa franqueadora, consegui suporte e treinamento para colocar este sonho em prática”, conta.

A empresária ainda diz que mesmo em um período de crise financeira, considera que sua decisão em optar pela microfranquia foi acertada. “Percebi nestes meses que a procura dos clientes pelos serviços diminuiu, muito por conta do desemprego. Essa é nossa maior dificuldade atualmente. Mas acredito que isso vai melhorar. Fiz um bom investimento, acima até do recomendado pela franqueadora e não me arrependo, quero atender bem meus clientes. Hoje a clínica já se paga, imagino que em um ano já terei de volta o valor investido”, relata Maria.

Muito trabalho

Quem pensa que abrir o próprio negócio é sinônimo de passar a viver dias de pouco trabalho está equivocado. ‘A microfranquia segue a Lei do Franchising, com as mesmas regras, apenas com um investimento menor do que nas franquias normais. Com a franquia você vai ser o dono do negócio e ele vai depender de você. O franqueador geralmente ensina a prestar o serviço e oferece estrutura, que costuma ser menor nas microfranquias. Assim, você terá que operar o negócio, trabalhando muitas vezes por até 14 a 16 horas por dia, em casa ou em um ponto comercial’, aponta o consultor do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae PR) Rodrigo Viana.

Segundo ele, outro ponto a ser observado pelo interessado é ter o cuidado de verificar se o negócio pretendido tem a ver com seu perfil. ‘Não basta avaliar a viabilidade só com o olhar de investidor, sob o ponto de vista do retorno financeiro. É preciso saber se o produto ou serviço se encaixa em seu estilo de vida e de trabalho. Fazer um plano de negócios paralelo ao da empresa franqueadora também é fundamental, para confirmar se os números informados são verídicos. Se planejar, estudar o mercado e o negócio e manter os pés no chão também é importante. Para se preparar, o futuro empresário pode contar com orientações gratuitas ou com aulas personalizadas, como as do ‘Programa Começar Bem’, ambos oferecidos pelo Sebrae PR’, recomenda.

Oportunidades

Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) houve crescimento no número microfranquias nos últimos anos no Brasil: de 336 redes em 2011 para 433 em 2014, segundo os dados mais recentes. A alta acompanha de perto o número de desempregados no país, público que tem sido atraído por este sistema. Em janeiro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no país atingiu 9,5% da população economicamente ativa, com cerca de 9,5 milhões de pessoas sem trabalho. Maior nível registrado desde 2012, quando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) começou a ser realizada.

De acordo com a diretora da Regional Sul da ABF Fabiana Estrela, além do desemprego, a expansão das microfranquias também pode ser explicada pelas características da população. ‘O brasileiro é um povo trabalhador e empreendedor, assim a microfranquia se encaixa perfeitamente neste perfil, sendo um negócio com menos riscos, com treinamento, suporte e baixo cust,o. Com a microfranquia temos pessoas que aproveitam para sair da informalidade, que abrem um negócio após perderem o emprego e aquelas que seguem trabalhando até a empresa se estabilizar’.

Para Fabiana, atualmente, os segmentos que oferecem as melhores oportunidades são os de serviços, internet, agências online, lavanderias, cursos e treinamentos e home care (limpeza e cuidados com casa). Como dica aos candidatos, ela recomenda buscar informações detalhadas com a franqueadora e os materiais disponibilizados pela ABF: que incluem apostilas, orientações, o aplicativo para celular ‘Quero uma Franquia’ e o game online ‘Franquias Brasil’.

Trabalhando em casa

Foi aprovado por unanimidade pelo Senado um projeto de lei que permitirá ao microempreendedor exercer sua atividade em casa, utilizando seu endereço residencial como sede de sua empresa. Segundo os senadores, a proposta é importante principalmente no momento de crise econômica que o país está vivendo. De acordo com os parlamentares, o projeto tem impacto social muito grande, já que desburocratiza e facilita a vida das microempresas sem gerar custos para o governo.