Estudantes e professores do campus de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizaram ontem à tarde uma manifestação, que percorreu algumas das principais ruas de Curitiba. A "Caminhada pela Paz" foi organizada como forma de protesto ao crescimento da violência na cidade, e que, no último mês fez duas novas vítimas, um professor e uma aluna da instituição, atingidos por balas perdidas. A iniciativa tem como objetivo mobilizar a população e exigir ação mais efetiva dos órgãos responsáveis pela segurança.

Os manifestantes saíram do campus da UFPR no bairro Cabral em direção ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico. No local, eles colheram assinaturas para que uma carta-manifesto seja entregue nos próximos dias ao governador Roberto Requião e ao secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, cobrando alguma iniciativa para a questão.

A estudante de Engenharia Civil Débora Borin da Silva, 24 anos, foi atingida nas costas por uma bala perdida, durante um assalto a uma agência do Banco Bradesco, nas proximidades do Shopping Jardim das Américas. Ela estava aguardando um ônibus no ponto do Centro Politécnico no dia 16 de novembro, quando o tiro a atingiu. A jovem passou por uma cirurgia e já está bem, mas segue internada em um dos quartos do Hospital Cajuru.

O professor Luiz Felipe Caron, 31, foi outra vítima da violência na capital. No último dia 19, ele foi baleado durante um tiroteio entre policiais e assaltantes na BR-116, nas proximidades do Ceasa. No momento do acidente, o professor estava em seu veículo, acompanhado de seus dois filhos, de 4 e 2 anos. Ele ainda se encontra internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital do Trabalhador.

O professor aposentado Yasuyoshi Hayashi, dava aulas na UFPR até a entrada de Caron. Ele está acompanhando a situação e informou que houve uma melhora no estado do professor internado. "De acordo com o último boletim, ele já não está mais sedado e se emociona com a presença dos filhos. A recuperação, segundo os médicos, será mais rápida do que a esperada", disse.

De acordo com o presidente do Centro Acadêmico de Medicina Veterinária da UFPR, Artur André Bertol, a iniciativa de realizar o protesto surgiu após uma reunião entre estudantes e alguns professores da instituição. Eles esperam contar com a participação da sociedade nas assinaturas da carta, que será entregue ao governo. "Se todo mundo ficar parado, ninguém toma uma iniciativa. Essa mobilização já é alguma coisa, e esperamos que a população participe cada vez mais dessas manifestações, cobrando segurança na cidade", explicou. "Duas vítimas de bala perdida fazem parte da comunidade da UFPR, mas todos os setores da sociedade sofrem com o problema. Esse protesto é uma forma de questionar o que está sendo feito", completou Artur.