Grupo de caminhoneiros espera desde quinta-feira para descarregar matéria-prima – principalmente açúcar para produção de sucos e chocolates – na fábrica da Kraft Foods do Brasil, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Na tarde de ontem, 35 caminhões estavam parados em frente ao portão da empresa. A reclamação é a falta de respeito por parte da empresa. Uma das queixas recorrentes é a falta de banheiros para os motoristas obrigados a abandonar a carga no “pátio” e se dirigir ao posto de combustível mais próximo para tomar banho e fazer suas necessidades.

À noite, a apreensão dos motoristas é maior. O local onde estão parados fica deserto e a área em torno é de mata, o que facilita a ação dos marginais. “Meu cunhado já teve os dois estepes roubados aqui. A empresa (de transporte) não quer nem saber, cobra do sujeito”, relata um motorista.

Insegurança

Além de deserta, a região fica escura, já que a única fonte de luz é a da portaria da fábrica que fica a alguns metros do local. A segurança da empresa não se responsabiliza pelos caminhoneiros ali parados. O abandono da fila pode custar mais um dia de espera, pois se convocados para descarregar e não estiverem presentes, perdem o lugar na fila.

Em caso de chuva os motoristas não têm onde se abrigar. Para se alimentar, são obrigados a sair em duplas à procura de local onde possam fazer as refeições. “O jeito é ficar em contato com quem está na frente na fila para saber se dá ou não para demorar”, comenta um dos caminhoneiros.

O problema já é antigo na fábrica. “Em São Paulo é pior, demora até uma semana para poder descarregar”, afirma o grupo. Em média, segundo os caminhoneiros, são descarregados de quatro a seis carretas por dia. A Kraft Foods do Brasil não se manifestou a respeito do assunto.