Sexta-feira (21) é o último dia da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite. Todas as crianças com idade entre seis meses e cinco anos devem receber a dose da vacina, que está disponível em todas as 109 unidades de Curitiba. A meta do Ministério da Saúde é vacinar 95% das crianças nesta faixa etária, em todo o Brasil. Em Curitiba, isso equivale a um total de 98 mil crianças.

Desde o dia 8, quando começou a campanha, até o final da manhã desta quinta-feira (20), 93.079 mil crianças já tinham sido imunizadas contra a pólio na cidade, num total de 90,1% do público alvo – 94,97% da meta. Segundo dados do IBGE, Curitiba tem hoje 103.309 crianças nessa faixa etária.

O diretor do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, Moacir Pires Ramos, lembra que a vacinação é uma ferramenta de saúde muito importante para prevenir uma doença séria como é a poliomielite. “É importante lembrar que a pólio não tem tratamento, mas bastam duas gotas da vacina para fazer a prevenção”, enfatiza.

Ramos destaca que a vacina oral contra a poliomielite para as crianças é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal estratégia para a erradicação da doença. De acordo com ele, a vacinação em massa aumenta a cobertura vacinal das crianças menores de 5 anos e promove a dispersão de vírus vivos atenuados no ambiente, através dos vacinados e fornecendo uma proteção ainda maior à população.

Sintomas

A poliomielite é uma doença que atinge o sistema nervoso e pode provocar quadros de paralisia. O vírus entra no organismo através da boca e se multiplica no intestino. Os sintomas da doença são febre, fadiga, dor de cabeça, vômitos, rigidez do pescoço e dores nos membros. O último caso registrado em Curitiba foi em 1985. “O vírus da paralisia infantil ainda circula em alguns países e por isso é fundamental vacinar as crianças para protegê-las do vírus”, informa.

Bebês com menos de seis meses não precisam tomar as gotinhas porque já estão vacinadas com a dose injetável nas unidades de saúde, de acordo com o calendário vacinal.

A vacina contra a poliomielite não produz efeitos colaterais, não tem contraindicação e é recomendada mesmo para as crianças que estejam com tosse, gripe, coriza, rinite ou diarreia.

De acordo com o cronograma do calendário básico de vacinação, a criança recebe as duas primeiras doses – aos dois e aos quatro meses – do esquema com a vacina inativada poliomielite, de forma injetável. Já a terceira dose (aos seis meses) e o reforço (aos 15 meses) continuam com a vacina oral.

Histórico

O último caso registrado da doença no Brasil foi em 1989, na Paraíba. As ações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) estão voltadas à manutenção do país livre do poliovírus selvagem. Desde 1994, o país mantém o certificado emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de erradicação da poliomielite.

Apesar de não haver registro de casos de pólio no país, os profissionais de saúde estão em alerta sobre a necessidade de notificação e investigação de todo caso suspeito de pessoas procedentes de países com circulação da doença. De acordo com a OMS, entre os anos de 2011 e 2012, 16 países registraram casos da doença. A maioria é decorrente de importações do poliovírus selvagem de países endêmicos (Afeganistão, Nigéria e Paquistão) ou de países que restabeleceram a transmissão (Angola, Chade, República do Congo).

Em 2012, foram registrados 223 casos, sendo que 217 (97,3%) foram nos países endêmicos e 6 (2,7%) nos não endêmicos. É uma redução de 36,9% no número de casos de poliomielite no mundo, quando comparado ao mesmo período de 2011 (604 casos). No ano de 2013, até o dia 22 de maio, foram registrados 32 casos, sendo oito no Paquistão, 22 na Nigéria e dois no Afeganistão.