Maria Celestina constata o desperdício,
porque a retirada não foi correta.

O Banco de Leite Humano (BLH) do Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba, está lançando uma campanha contra o desperdício das doações. Por mês, cerca de 20% – equivalente a 60 litros – dos 300 recebidos, em média, são jogados fora devido à contaminação pela falta de higiene na hora de a mãe tirar o leite do peito. Essa quantidade daria para alimentar, com folga, dez bebês na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal.

A coordenadora do banco, Maria Celestina Bonzanni, explica que o BLH é um dos bancos que mais recebem leite materno do Brasil. A quantidade desperdiçada é equivalente à produção total da maioria dos bancos. “Nós não podemos apenas pedir mais leite. Temos que corrigir essa deficiência”, comenta.

Ela informa que as funcionárias do setor explicam sobre a doação e orientam como deve ser a retirada do leite às mães que estão internadas no HC e àquelas que ligam para o serviço procurando ajuda para amamentar corretamente. O esgotamento – termo médico para a coleta – pode ser feito em casa, inclusive com a ajuda de profissionais do HC, ou no próprio hospital.

A mãe deve tomar diversos cuidados na retirada: precisa estar em local reservado, sem a presença de animais; prender o cabelo; usar máscara ou algum protetor para o nariz e a boca; lavar em abundância as mãos e as unhas, com sabão; e ir direto para a retirada. É justamente nesses dois últimos procedimentos que a doadora não está tomando cuidado e contaminando o leite. “Nós investigamos todo o processo e descartamos o transporte (feito em caixas específicas) e as retiradas no banco. Verificamos que o leite contaminado vem das mães que não fizeram a higiene adequadamente ou de outros hospitais que não orientaram bem as doadoras”, explica Maria Celestina.

Além desses cuidados, o frasco onde o leite é depositado necessita estar totalmente esterilizado. Se não há tempo hábil para a visita do banco, na qual a equipe fornece os recipientes, a mãe pode ferver um frasco de vidro com tampa de plástico (o mais usado é de maionese) por 15 minutos e deixar secar naturalmente. “Na hora de manuseá-lo, deve colocar a tampa virada para cima e não encostar, em hipótese alguma, a parte interna do recipiente”, orienta a coordenadora. “Depois de esgotar todo o leite, o vidro deve ir diretamente ao freezer”, conta. Se a doadora fizer várias retiradas, ela nunca deve tirar o vidro do congelador. O novo procedimento deve ser feito em um outro recipiente, que deve estar fervido. Depois de terminado o esgotamento, esse leite é colocado junto àquele que está no freezer. O leite pode ficar nessas condições por até 15 dias.

Quando o leite materno chega ao HC, ele é descongelado, colocado em outro recipiente e passa por uma análise que verifica a possível contaminação. O leite, sendo aprovado, passa por uma pasteurização (processo de elevação de temperatura por 30 minutos e depois resfriamento rápido), eliminando todos os germes. O leite é armazenado no banco e usado nas UTIs Neonatal, Pediátrica e em outros hospitais.

Serviço – As mães que quiserem doar o excesso de leite ou receber orientações sobre a amamentação, podem ligar para o telefone (41) 360-1867. O atendimento é feito das 8 às 18 horas, de segunda a sexta.