Foto: Aliocha Maurício
No sul da capital, os bairros que
mais crescem, como o Tatuquara.

Curitiba registra uma das menores taxas de crescimento populacional do País: 1,83% ao ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para o período de 1996 a 2000. Embora o índice seja menor do que o nacional (1,97%), a cidade enfrenta problemas sérios: é a sétima capital mais populosa do País – 1.587.315 habitantes, conforme o Censo 2000 – e, de quebra, ainda responde pela Região Metropolitana, que somada à população de Curitiba resulta em 2,7 milhões de pessoas.

“Curitiba não pode mais ser pensada apenas no seu espaço geográfico. Há uma mancha urbana chamada Grande Curitiba”, aponta o coordenador de Supervisão de Dados do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Lourival Peyerl. Segundo ele, o desafio está justamente em equilibrar a ocupação da RMC, cujo índice de crescimento é de 2,87%, e de promover planos integrados entre os municípios. “Com o Estatuto da Cidade muita coisa poderá ser feita nesse sentido. Também é importante a atuação da associação de prefeitos”, afirma Peyerl.

Para o coordenador, o atual índice não é preocupante. “A infra-estrutura (saúde, educação, transporte) está acompanhando o crescimento populacional. Se não antecipando, pelo menos acompanhando muito de perto a ocupação”, diz. “Os conjuntos habitacionais, quando instalados, quase sempre já contam com unidades de saúde, creche, água, energia elétrica.”

Para ele, o Plano Diretor, elaborado em 1966, “permitiu minimizar o impacto de ocupação rápida em Curitiba.” Conforme o IBGE, na década de 70 a população de Curitiba não chegava a 610 mil habitantes; passou para 1.024 milhão na década de 80; 1.315 milhão em 90; e finalmente 1.587 milhão em 2000. “O IBGE considera todo o perímetro de Curitiba como urbano”, diz. Segundo Peyerl, o que se quer agora é que toda a infra-estrutura seja de fato utilizada. “Em expansão, não há mais para onde crescer. O que a gente quer é ocupar os grandes vazios urbanos”, diz, referindo-se a imóveis desocupados.

Maior crescimento

Os bairros que mais têm crescido nos últimos anos são os da região Sul, com destaque para o Tatuquara, São Miguel e Caximba (veja quadro). O motivo, segundo Lourival Peyerl, é a instalação de conjuntos habitacionais. Já o bairro Sítio Cercado, o segundo mais populoso, com 102 mil habitantes, se destaca especialmente pela instalação do Bairro Novo -loteamentos patrocinados pelo poder público. Em população absoluta, o Sítio Cercado só perde para a Cidade Industrial, com quase 160 mil. Em terceiro lugar está o Cajuru, com 89,7 mil habitantes.

Já os bairros que “diminuíram” foram o São Francisco, Prado Velho e Centro, além do Alto da Glória e Centro Cívico. “Muitas residências estão dando lugar a consultórios médicos, laboratórios. Nosso objetivo é criar mecanismos para que determinados bairros, ou ruas, não se tornem apenas comerciais”, explica.

Nesse sentido, uma das metas é revitalizar o Prado Velho para atrair mais moradores, além de estimular que mais pessoas morem no Centro.