Na Visconde de Guarapuava o
engarrafamento não diminuiu.

Carro ou ônibus? Qual será a melhor opção para reduzir os custos para se deslocar em Curitiba? O aumento da passagem da Rede Integrada de Transporte (RIT) poderia ser um dos motivos para que o fluxo de passageiros de ônibus diminuísse. Mas de acordo com a Diretran, isso não aconteceu. O órgão, administrado pela Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), informou que o tráfego na capital continua o mesmo, sem grandes alterações, mesmo após o reajuste da tarifa dos ônibus.

Segundo dados da Diretran, atualmente, 16% da população utiliza seus veículos, ocupando 58% das vias da cidade. Já 80% da população faz uso dos ônibus, em 25% das vias de tráfego da cidade. “Em um primeiro momento, houve um registro de aumento no tráfego da cidade. Isso foi causado pelo susto do reajuste. Mas, em seguida, o trânsito voltou ao volume normal, sem maiores problemas. Não durou mais que uma semana”, conta a coordenadora do Núcleo de Educação e Cidadania da Diretran, Maura Barbosa.

Comparação

Com relação aos valores de cada transporte, Maura explica que muitas vezes os cálculos são realizados de maneira errônea. Ela conta que os custos de utilização do transporte coletivo pode sair mais barato do que se dividir um carro se as distâncias forem longas. “Os valores podem variar de acordo com a distância, mas levando em consideração todos os itens que um carro dispõe, como custos de manutenção, combustível, pneus e óleo e depreciação, o valor pode ser muito alto”, diz. Em contrapartida, explica a coordenadora da Diretran, “uma pessoa que usa dois vales, cinco vezes por semana, em um mês, pode chegar no máximo a gastar R$ 95”.

Outro ponto ressaltado por Maura é com relação aos congestionamentos. Ela explicou que alguns programas de incentivo à carona estão sendo realizados nas universidades de Curitiba, que são locais de grande concentração de veículos. Segundo a Diretran, cerca de 12 mil veículos se concentram nas instituições de ensino. “Com menos carros nas ruas, o problema de poluição é reduzido e, além disso, os congestionamentos são praticamente inexistentes. A carona pode ser uma das soluções para quem vai para o mesmo caminho”, aponta Maura.

Distância

Para o economista e técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), Sandro Silva, a questão da melhor opção de deslocamento na capital depende diretamente da distância. Segundo ele, o uso de veículos sai mais em conta quando o caminho é mais curto ou existe dois ou três “caroneiros”.

“O aumento da passagem realmente assustou a população. Quem pode, optou pela utilização dos carros e a carona se tornou algo comum na cidade,” relata.

A tarifa de ônibus da capital a R$ 1,90 é a mais cara do Brasil. De acordo com o Dieese, a média do valor do combustível pode apresentar o mesmo preço. Com isso, um carro que percorre 10 quilômetros com 2 litros de combustível acaba gastando o mesmo valor se utilizasse o ônibus.

Bicicleta

Sandro ainda ressalta o uso das bicicletas pela população. Ele afirma que grande parte das pessoas que ganha um salário mínimo prefere fazer um esforço a mais do que ter que pagar um alto preço pela passagem de ônibus. “Boa parte das pessoas não pode gastar quase R$ 100 somente com transporte e acaba se virando de algum jeito. É complicado, mas isso está acontecendo”, conta.