João de Noronha / GPP
João de Noronha / GPP

Em algumas escolas, presença de
catracas virou motivo de piada.

Em setembro de 2003, a Prefeitura de Curitiba lançou o Cartão Aprender, um cartão de identificação para os alunos da Rede Municipal de Ensino que deveria servir para registrar eletronicamente o acesso às escolas, postos de saúde, bibliotecas, cinemas, teatros e outros estabelecimentos municipais. Para que a tecnologia efetivamente funcionasse, foram instaladas catracas nas escolas municipais por onde os estudantes deveriam passar e assim registrar a presença. No entanto o programa não vingou.

Na escola Ricardo Krieger, onde o projeto foi lançado pelo então prefeito Cássio Taniguchi, as catracas servem de enfeite. O Cartão Aprender funcionou por poucos meses e hoje o acesso é liberado nas catracas porque não houve manutenção do sistema e, com a rotatividade de alunos e também com os cartões que extraviaram ou estragaram, não houve reposição, obrigando a escola a deixar de adotar o sistema.

Foram entregues crachás para 90 mil estudantes de 1.ª a 8.ª séries, além da instalação das catracas em boa parte das escolas do município. Fora isso, o Instituto Curitiba de Informática (ICI) desenvolveu tecnologia especialmente para o projeto.

A diretora da escola municipal Professor Germano Paciornik, Andrea Cassia Velho, conta que a escola teve que fazer uma reforma e algumas adequações para adotar o sistema de catracas. "Tivemos que limitar a entrada dos estudantes a apenas um local, para que todos passassem pela catraca", explica. No entanto, o sistema só funcionou por dois meses. Aqueles cartões que apresentaram defeito foram para a manutenção e nunca mais voltaram. Resultado: em pouco tempo, apenas 40% dos alunos da escola continuavam com o cartão, impossibilitando o controle de freqüência. "A idéia do projeto era muito boa, mas não teve continuidade. Hoje as catracas estão lá, sem função, e até viraram motivo de piada entre os estudantes", diz.

Na escola municipal Professora Maria Augusta Jouve, no Boqueirão, o sistema nem chegou a funcionar. A diretora Rita Zem conta que as crianças chegaram a tirar fotos para a confecção dos cartões. No entanto, nem 20% deles foram entregues e as catracas nunca chegaram a ser instaladas. "Durante algum tempo procuramos a secretaria de educação para saber qual era o problema, mas ninguém sabia explicar. Disseram que o atraso no envio dos cartões era causado por problemas operacionais. Resumindo: o projeto acabou antes mesmo de começar", disse.

Benefícios

Segundo Ilone Maria Iensen, diretora da escola Ricardo Krieger, a proposta do Cartão Aprender, de entrelaçar informações e permitir que com um único documento o aluno tivesse acesso aos serviços municipais – além de oferecer alguns benefícios de descontos em farmácias e cinemas – é interessante. "Mesmo que não tenha tido continuidade, eu acredito no projeto. Acho a idéia boa. Mas é preciso haver um cuidado maior da Prefeitura em dar continuidade ao sistema e atender às necessidades de cada escola", afirma.

Prefeitura reavalia programa

De acordo com o secretário municipal de governo, Maurício Ferrante, o projeto do Cartão Aprender, assim como outros da gestão anterior, está sendo reavaliado. Segundo Ferrante, a prefeitura está examinando o programa, revendo alguns pontos para ver se melhorias podem ser incorporadas. Mas o secretário adianta: o alto custo de manutenção do sistema foi um dos motivos que levaram a prefeitura a reavaliar o programa.

"Estamos estudando também formas de baratear o custo, além de analisar se a eficácia do sistema é plena ou não. O nosso objetivo é aproveitar o patrimônio existente, é claro, mas para isso é preciso avaliar o que vai se mostrar mais vantajoso. As vezes teremos que investir mais dinheiro e adaptar o projeto", afirma. A prefeitura acredita que num prazo máximo de 60 dias estes estudos sejam concluídos. Dependendo do resultado da análise, o programa do Cartão Aprender pode ser retomado ou redirecionado.