Os professores de ensino religioso das escolas estaduais e municipais terão à sua disposição, a partir do próximo ano letivo, uma cartilha para auxiliá-los a divulgar a diversidade de crenças. A cartilha Diversidade Religiosa e Direitos Humanos foi lançada ontem, na Assembléia Legislativa, em Curitiba.

Elaborada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, a cartilha terá 25 mil exemplares distribuídos. "Eles serão os multiplicadores dos conceitos", explicou a coordenadora do Círculo de Cooperação da Iniciativa das Religiões Unidas em Curitiba, Regina Loures Bueno, que trouxe a cartilha para o Paraná.

Regina informou que o objetivo é "incentivar o diálogo entre os movimentos religiosos para a construção de uma sociedade verdadeiramente pluralista, com base no reconhecimento e no respeito às diferenças de crenças e cultos".

Com esse material, pretende-se prevenir e combater a intolerância religiosa, principalmente no que diz respeito a religiões minoritárias e cultos afro-brasileiros. "Erradicar a violência de motivação religiosa e promover a diversidade é a missão de nossa organização, presente em mais de 50 países", salientou Regina.

Voluntário na elaboração do material, o professor Sérgio Junqueira, secretário-geral do Fórum Nacional Permanente para o ensino religioso, explicou que o Brasil é um país laico, ou seja, não tem religião própria. Assim a presença da diversidade religiosa é garantida pela legislação. "E é isso que a cartilha vem reforçar", completou. O direito à liberdade de crença é garantido pela Constituição Brasileira, pela Declaração Universal de Direitos Humanos e pelo Programa Nacional de Direitos Humanos.

Com a cartilha, os professores poderão debater melhor a diferença entre as crenças, bem como o respeito mútuo entre as várias culturas e religiões. As aulas de ensino religioso compõem o currículo escolar das turmas de 1.ª a 8.ª séries do ensino fundamental.