A morte de um policial federal no início desta semana, em uma casa lotérica no centro de Curitiba, levantou a questão da vulnerabilidade e falta de segurança existente nesses estabelecimentos. Ao contrário das agências bancárias, as lotéricas não têm porta giratória, detector de metais, tampouco biombos que protegem clientes que sacam grandes quantidades de dinheiro. Em virtude da greve dos bancos e das apostas da Mega-Sena, as lotéricas enfrentam grande movimento, o que facilita a atuação dos marginais.

Ao percorrer lotéricas no centro de Curitiba, não é difícil verificar a preocupação da população. “Tenho medo de ficar muitas vezes fora da loja esperando atendimento. A greve dos bancários está prejudicando muito nossa vida, literalmente”, reclama a dona de casa Derci Jacomel. Para a estudante Ana Arantes, a situação fica ainda mais grave por causa das apostas. “É perigoso. Os assaltantes podem pensar que temos dinheiro, mas não. Estou aqui apenas para jogar na Mega-Sena”, ressalta.

De acordo com João Miguel Turcatto, presidente do Sindicato dos Empresários de Lotéricas do Paraná (Sinlopar), ao contrário do que a maioria pensa, as lotéricas não acumulam grandes quantidades de dinheiro. “Está faltando dinheiro nas casas lotéricas. Enquanto grande parte das pessoas inserem valores por meio das apostas da Mega-Sena, muitos estão nos procurando para sacar dinheiro”, explica.

Quanto às questões de segurança, Turcatto afirma que as lotéricas estão bem protegidas. “Contamos com carros-fortes e segurança armada. O grande movimento dessa semana acontece em virtude da Mega-Sena acumulada, da proximidade do dia 5 e da greve dos bancários”, afirma. Para ele, essa é uma situação normal.

Alternativas

Para o coronel da Polícia Militar do Paraná, Marcos Sheremeta, comandante do policiamento de Curitiba, a população precisa se conscientizar que as lotéricas não são bancos. “O sistema bancário tem muitos artifícios de segurança que as lotéricas não têm. Isso deixa o cliente muito vulnerável”, diz. Segundo ele, é essencial não reagir diante de um assalto em casas lotéricas. “O alvo dos marginais não são as pessoas na fila, mas o dinheiro que está no caixa. Ao verificar um assalto, por exemplo, é preciso não reagir, ficar calmo e parado”, diz.