O impasse envolvendo duas famílias moradoras do loteamento irregular Vila Araguaia, no bairro Capão da Imbuia, em Curitiba, continua. Elas foram retiradas de suas casas por conta de uma ordem judicial favorável ao espólio de Frederico Julio Reginato, proprietário do terreno onde está localizada a comunidade.

Dois anos após este episódio, o caso ganhou uma nova reviravolta. A juíza substituta Sibele Lustosa concedeu aos antigos donos, no dia 16 deste mês, a reintegração de posse dos imóveis. Contudo, passados 13 dias, nada foi feito.

A aposentada Terezinha Gonçalves Chaparro Madureira, uma das pessoas que foram despejadas e que mora na própria vila em uma casa alugada, lamenta toda esta espera para poder retornar à sua residência.

“Nós viemos para cá em 1994. Construímos a casa com muito esforço e trabalho. Queria entender porque ainda não foi designado um oficial de Justiça para devolver o que é da minha família. Não entendo esta demora toda”, indaga.

Ela diz também que o despejo foi um dos seus piores momentos da vida. “Ainda sofremos com este acontecimento, pois nos tiraram daqui como se fôssemos bandidos. Na época, meu marido passou muito mal e precisou ser até hospitalizado. Entretanto, ainda tenho esperança de poder voltar para lá o mais rápido possível”, salienta.

O presidente da Associação dos Moradores da Vila Araguaia, Anatólio Novaes da Silva, conta que a casa pertencente a Madureira foi alugada para uma outra família há quase dois anos. Ele teme que a situação se repita novamente com eles.

“Já conversei com eles a respeito da reintegração de posse emitida pela juíza. Contudo, o pessoal disse que está tranquilo, pois o espólio teria dado garantias para eles. Não gostaria de ver novamente uma pessoa daqui ser despejada, pois foi algo realmente triste de se presenciar”, afirma.

A família inquilina desta casa não quis gravar entrevista nem se identificar, todavia, confirmou que o espólio teria dito para eles não temerem e também que não sabiam dessa briga judicial.

Questionada sobre o que vão fazer quando o oficial de Justiça cumprir a ordem da juíza, a família disse que não sabe o que fazer. A reportagem de O Estado tentou entrar em contato com o espólio de Frederico Julio Reginato, mas não obteve retorno.

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Curitiba informou que a região está em processo final de regularização do espaço, conforme explica o processo número 936/2008.

Até o final do ano, a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) deve encerrar este problema tanto para os moradores da vila quanto para o espólio do dono do terreno.