Foto: Arquivo/O Estado

Trabalhadores convivem com mau cheiro e risco de doenças.

A falta de hábito da população de separar o lixo reciclável do orgânico, e de um veículo para fazer a coleta seletiva está levando muitos catadores de papel de volta ao lixão do Imbocuí, em Paranaguá. Em maio de 2006 foi criada uma cooperativa na cidade, mas, por falta de matéria-prima, os trabalhadores estão tendo que voltar a conviver com o mau cheiro e dividir o espaço com os urubus, além de colocar em risco a própria saúde.

Como eles não encontram outra alternativa de renda, a saída é passar o dia assim, procurando papéis, plásticos, ferro, alumínio, tudo o que possa ter um valor comercial no lixão da cidade. Existente há cerca de 30 anos, o local recebe diariamente 240 toneladas de lixo.

Material Reciclável da Vila Santa Maria foi criada no ano passado e é uma tentativa de melhorar a vida destas pessoas. Mas até agora o negócio não deslanchou. A falta de hábito da população para separar o material e a falta de um caminhão para fazer a coleta seletiva na cidade são dois entraves.

Segundo o promotor de Justiça Saint Clair Honorato Santos, do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente, muitos trabalhadores estão voltando a procurar o material no lixão e a colocar a saúde em risco. ?É o cúmulo a gente ainda ver pessoas trabalhando em lixões. É o fim da dignidade humana?, comenta Saint Clair.

Desde setembro do ano passado o promotor vem trabalhando junto a diversas entidades para dar um basta ao problema. Esta semana, a Câmara Setorial de Agricultura e Meio Ambiente da Associação Comercial de Paranaguá (Aciap) começou a distribuir panfletos aos comerciantes pedindo que comecem a separar o lixo para facilitar a vida dos catadores. Além disso, pleiteiam também a doação de um caminhão para ajudar na coleta. Segundo o vice-presidente da Câmara Setorial, Eloir Martins, 130 famílias sobrevivem do lixão. ?A gente vê mulheres, pais de família desesperados trabalhando no lugar. A sociedade precisa fazer alguma coisa?, diz.

O responsável pela Divisão de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Paranaguá, Clarion da Silva, fala que a Prefeitura vem estudando alternativas para implantar a coleta seletiva na cidade. Uma delas seria o projeto Carroças Ecológicas. O recolhimento do material seria feito pelos catadores. Eles já estão sendo capacitados para o trabalho, recebendo noções de cuidados com o meio ambiente e até de trânsito. Mas ainda não existe uma data definida para o início da atividade. A outra alternativa seria o uso de um caminhão, mas a prefeitura ainda não dispões de recursos. ?Falta até para a coleta normal?, comenta.