O aterro da Caximba, que estava fadado a encerrar suas atividades em outubro próximo – quando esgota sua capacidade – , continuará recebendo os detritos de Curitiba e mais 14 municípios da Região Metropolitana pelos próximos quatro anos. O recurso orçamentário para desapropriação da área – cerca de R$ 970 mil -foi aprovado pela Câmara de Vereadores de Curitiba no final do mês passado. Na semana que vem, a Prefeitura deve publicar o edital de licitação. As obras devem começar no mês que vem e serão divididas em etapas. A implantação do projeto está orçada em R$ 9 milhões – custo que deverá ser rateado entre os integrantes do consórcio intermunicipal do lixo.

De acordo com a superintendente de Controle Ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Marilza Oliveira Dias, a área a ser desapropriada é de 504 mil metros quadrados. No entanto, apenas a área de 120 mil metros quadrados será utilizada como aterro. “Grande parte não é adequada, porque havia antigas explorações de areia e argila no local. Além disso, não teria como desapropriar apenas uma parte dos lotes, porque fechariam os acessos”, explica. A área não efetiva terá preservação ambiental.

A área é dividida em seis lotes, e a desapropriação será via judicial. “Não que os proprietários não quiseram aceitar, mas por questão da documentação da área”, esclareceu Marilza.

5 milhões de toneladas

A ampliação do aterro vai permitir o depósito de cerca de 5 milhões de toneladas de lixo. Desde 89, quando o aterro foi construído, já foram depositados 6 milhões de toneladas. “A quantidade de lixo vai aumentando ano a ano. Em 89, por exemplo, eram depositadas 800 toneladas por dia, enquanto hoje é de 2,4 mil”, compara.

A ampliação vai pôr fim ainda à polêmica que surgiu no ano passado, quando um novo aterro seria construído em Mandirituba ou Fazenda Rio Grande. Por forças judiciais, o processo licitatório foi suspenso. Diante do impasse, a Prefeitura expandiu o aproveitamento do aterro da Caximba em 52 mil metros quadrados, o que permitirá o depósito de lixo até outubro próximo.

Emergência

Para o diretor-geral da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Araucária, Tadeu Lucaski, a ampliação do aterro é necessária como medida de emergência, mas chamou a atenção para o tratamento do lixo – que também deveria ser ampliado – e o encaminhamento correto de cada tipo de detrito. “O aterro não estaria nesta situação se houvesse diferenciação na coleta. Os restos vegetais e os entulhos de construções, por exemplo, não deveriam estar no aterro”, aponta Lucaski. Segundo ele, os primeiros poderiam ser transformados em compostos orgânicos e adicionados ao solo agrícola, enquanto os segundos deveriam ter aterro próprio, pois se trata de “material nobre.”