Foto: Chuniti Kawamura/O Estado

Sandra e Maria Goretti:auxílio psicossocial e jurídico.

A partir do dia 7 de março, mulheres vítimas de violência doméstica na Região Metropolitana de Curitiba passam a contar com o auxílio do Centro de Referência e Atendimento da Mulher em Situação de Violência, coordenado pelo Conselho Estadual da Mulher, vinculado à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania. O centro, que conta com o apoio dos governos federal, estadual e municipal, faz parte de uma rede nacional de ajuda para as mulheres que sofrem com a violência. O objetivo é dar o impulso necessário para uma mudança de vida.

No Brasil, uma mulher é espancada a cada quinze segundos. Em Curitiba, são diagnosticados 600 casos de violência sexual por ano, em média. Dá para se ter uma noção da tragédia vivida em muitos lares ao considerar que a violência sexual representa apenas 3% dos casos de violência contra a mulher. Normalmente, as agressões são contínuas e as mulheres somente procuram ajuda quando não agüentam mais aquela rotina ou correm risco de morte.

A conselheira da comissão de comunicação, Maria Goretti Lopes, informa que o centro vai oferecer auxílio psicossocial e jurídico. Será o local para a acolhida dessas mulheres, que receberão orientações e o encaminhamento para serem as autoras de uma mudança em seus projetos de vida. De acordo com ela, trata-se de uma ação integrada com a saúde, segurança, educação, justiça, ação social e o trabalho.

A conselheira secretária da comissão executiva do Conselho Estadual da Mulher, Sandra Zawadzki, explica que a situação de violência é um ciclo. Muitas vezes, a mulher volta para casa porque não tem para onde ir. "Há uma dependência emocional, pelo amor que sente pelo companheiro e pelos filhos. Por isso é necessária uma atuação multidisciplinar. A dependência financeira é outro ponto considerável. Será feito um levantamento completo do caso, até para o jurídico se tornar mais pessoal, e não somente dizer que a separação resolve o problema", comenta. Sandra lembra que os filhos também podem se tornar agressores.

Maria Goretti ressalta que a punição para os casos de violência é o pagamento de cestas básicas. Isto minimizaria a situação, que passa a ser encarada com normalidade por quem agride. A conselheira revela que há um projeto de lei em trâmite na Câmara dos Deputados para a criação de juizados especiais de atendimento às mulheres em risco.

O funcionamento do centro vai permitir que seja realizado um levantamento e o diagnóstico da violência contra a mulher da região metropolitana. A intenção é que outros centros como este sejam instalados no interior do Estado. A inauguração da unidade em Curitiba, no dia 7 de março, terá a presença da ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire.