Aproximadamente 90% dos médicos que atendem aos planos de saúde em consultórios no Paraná aderiram ao Dia Nacional de Suspensão do Atendimento aos Planos de Saúde, que aconteceu nesta quarta-feira (21).

As informações são da Comissão Estadual de Honorários Médicos (CEHM), formada pela Associação dos Médicos do Paraná (AMP), Conselho Regional de Medicina (CRM/PR) e Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar). 

O Paraná tem 19 mil médicos com cadastro ativo no Conselho Regional de Medicina. Entre 10 e 11 mil atendem a um ou mais planos de saúde, e cerca de 90% deles aderiram à paralisação nacional. Segundo o presidente da AMP, João Carlos Baracho, as clínicas de ortopedia estão entre as que aderiram totalmente ao movimento nacional dos médicos.

Entre outras reivindicações, os médicos pedem reajuste anual dos honorários e a validade da 6ª edição da tabela da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM).

A categoria quer ainda que as operadoras de saúde paguem de R$ 80 a R$ 100 pelas consultas. Atualmente algumas operadoras estão pagando R$ 40 aos médicos.

Desde a paralisação nacional dos médicos, no último dia 7 de abril, a CEHM convocou as operadoras para negociar. De acordo com a comissão, as empresas apresentaram propostas insatisfatórias e parte delas evitou o diálogo. Na terça-feira (20), representantes da Amil, Copel e Furnas procuraram a CEHM sinalizando a intenção de retomar as negociações.

De acordo com estimativa informal da CEHM, houve aproximadamente dois mil descredenciamentos dos médicos paranaenses dos planos de saúde, nos últimos seis meses.

Carta

Uma Carta à Nação foi enviada nesta quarta-feira, pela categoria, ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A carta será entregue também a parlamentares federais e a outras autoridades.

No documento, os médicos expõem a preocupação com as práticas dos planos e seguros de saúde, alegando desrespeito aos profissionais. “Somente a cultura do lucro – e não a da saúde – justifica a indiferença com que as operadoras tratam as reivindicações dos médicos e da sociedade”, diz a carta.

Os médicos alegam ainda que, nos últimos 12 anos, os índices de inflação acumulados chegaram a 120% e os reajustes dos planos somaram 150%, enquanto que os honorários médicos não atingiram reajustes de 50%.

Eles ressaltam que, no Brasil, o mercado de planos de saúde cresce mais de 10% ao ano, o que significa quatro milhões de novos usuários no país por período, garantindo grande faturamento às operadoras, sem suficiente contrapartida em termos de valorização do trabalho médico e na oferta de cobertura às demandas do paciente. A receita das operadoras no ano passado foi de R$ 72,7 bilhões.

“Em lugar do diálogo e da negociação com os médicos, grande número de operadoras optam pela mercantilização da saúde, ressaltando seu descompromisso com a assistência.

Diante deste quadro de equilíbrio ameaçado, conclamamos o governo federal e o seu órgão regulador na área (Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS) para que atuem como reais mediadores nesta relação que diz respeito à saúde e à vida de mais de 46 milhões de brasileiros”, diz o documento.