Os 29 refugiados ucranianos que chegaram a Curitiba na última sexta-feira (19) serão acolhidos no Interior do Paraná. Com auxílio da Primeira Igreja Batista de Curitiba (PIB), voluntários trabalham para encontrar residências que possam receber as famílias em Prudentópolis. Antes, as famílias foram direcionadas até Guarapuava, nos Campos Gerais. Todos passaram o fim de semana na capital paranaense.

Na manhã deste domingo (20), os ucranianos assistiram ao culto nas primeiras fileiras da PIB e ficaram visivelmente comovidos quando foram chamados ao palco para receber a homenagem da comunidade de fiéis.

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Nos últimos dias, a congregação se mobilizou para trazer ao Brasil ucranianos que fogem da guerra com a Rússia. As sete famílias – formadas por dois homens, dez mulheres e 17 adolescentes e crianças – desembarcaram na capital do Paraná com umas poucas malas e mochilas, apinhadas apenas de itens básicos de uso cotidiano.

Apesar do cansaço pela longa viagem, ao descer do ônibus, eles esboçaram sorrisos de alívio e felicidade. Nos braços carregavam volumosos casacos de inverno que até poucos dias atrás os protegeram do frio intenso do país europeu. Um menino segurava um cachorrinho de pelúcia no colo, seu companheiro de viagem.

Representantes de entidades civis e religiosas ucranianas no Brasil, vestindo trajes folclóricos típicos, os recepcionaram com palavras de boas-vindas em ucraniano. A Sociedade Ucraniana do Brasil disponibilizou uma intérprete para contornar a barreira linguística, já que poucos falam inglês.

Foto: José Fernando Ogura/AEN

Os refugiados vieram de várias cidades da Ucrânia, inclusive Kherson e Kharkiv, duas das mais atingidas pelas tropas de Moscou. Os únicos dois homens do grupo puderam deixar o país por terem mais de dois filhos.

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“Cada família tem que morar em casa individual, não pode morar com outra família da igreja. Tem que ter uma vida digna. Essa aqui [PIB de Curitiba] é uma igreja de classe média, então vai ter que alugar uma casa de classe média para eles, [dar] educação para os filhos, aulas de português para os adultos, comida, enquanto durar essa guerra”, afirmou o pastor presbiteriano brasileiro Elias Dantas, 64 anos, que liderou a acolhida.

Acolhida

Na tarde deste domingo, as famílias foram transferidas para Guarapuava, a 250 quilômetros da capital, onde ficarão alojados, temporariamente, num centro de retiro espiritual. Nos próximos dias, algumas delas devem seguir para Prudentópolis, município que concentra, proporcionalmente, a maior comunidade de descendentes de ucranianos do Brasil.

O governo do Paraná está buscando um terreno na cidade para abrigar moradias, cuja construção será custeada pela igreja. A PIB não explicou onde alocará as famílias de imediato, mas informou que já arrecadou mais de R$ 200 mil em poucos dias para o sustento dos refugiados e que a campanha de solidariedade vai continuar.

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Outros 50 ucranianos devem desembarcar em Curitiba no próximo sábado (26), dentro do mesmo projeto de acolhimento. Ao todo, a congregação diz que vai receber 300 pessoas nas próximas semanas.

“As igrejas do Brasil se uniram para conseguir amparar 300 refugiados que estão vindo para o nosso Brasil. Estas igrejas têm levantado recursos para sustentá-los e ampará-los durante um ano”, afirmou o pastor Michel Piragine, 39.

Durante a breve passagem por Curitiba, as famílias ficaram hospedadas num hotel no bairro Batel, no centro da cidade, e foram submetidas a testes médicos para avaliar o estado de saúde. Participaram ainda de várias atividades da igreja, inclusive um passeio turístico pela cidade, no sábado (19), para conhecer o Memorial Ucraniano. O Brasil tem cerca de 600 mil descendentes de ucranianos, a maioria concentrada no Paraná.

Aparentemente descansados e em bom estado, os refugiados participaram ativamente das orações, neste domingo. Eles usavam fones de ouvido com a tradução simultânea. Enquanto crianças e adolescentes assistiam em silêncio à cerimônia, uma bebê passou a maior parte do tempo dormindo num carrinho ao lado dos pais.

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Num vídeo divulgado pela PIB, uma mulher identificada apenas como Yrina diz ter fugido de Kremenchuk, no centro da Ucrânia, via Polônia, com os dois filhos de 1 e 11 anos, e afirma que o marido ficou no país europeu. “Muitas famílias têm crianças pequenas e não foi fácil fazer essa viagem longa”, contou a refugiada.

Sobre sua nova vida no Brasil, Yrina diz que já fez muitos amigos, mas que não sabe como será seu futuro. “Nossos sentimentos estão misturados. Agora queremos conhecer a cultura [brasileira] e a língua, mas nosso maior sonho é se juntar novamente aos nossos maridos que ficaram lá na Ucrânia”, acrescentou.

Yrina afirma que a decisão de vir ao Brasil surgiu “de dentro” e que o clima quente e o calor do povo brasileiro também influenciaram na escolha. “Gostamos muito também que aqui tem uma grande colônia ucraniana”, completou a mulher, que afirmou que a irmã também quer vir ao Brasil.

Ao longo de três dias, a Folha tentou entrevistar os refugiados, mas eles foram blindados pela organização da igreja, que impediu qualquer contato com o repórter. No domingo, os ucranianos foram escoltados até o templo por um cordão de segurança para evitar que a reportagem conversasse com eles.

Uma mulher, fluente em inglês, se dispôs a falar com a equipe no final do culto, mas novamente foi impedida pela organização. Os nomes dos refugiados também não foram divulgados, segundo a igreja para evitar que os parentes que ficaram na Ucrânia sejam alvos de eventuais perseguições.

Representantes da igreja explicaram que as entrevistas foram negadas porque as famílias sofreram o trauma de fugir da guerra e que, por isso, foram submetidas a muito estresse nos últimos dias.

“Entrevista pessoal não, só com a gente aqui. Aliás não tem ninguém que fala português. Eles concordaram em serem filmados, mas sem colocá-los em bloco [cercados por repórteres] porque estão viajando há sete dias. São muitas histórias de dor”, afirmou o pastor Elias Dantas.

A PIB não confirmou oficialmente, mas alguns fiéis informaram que os refugiados têm vínculo com congregação e a maioria deles foram identificados como professores. O esquema de proteção foi montado pela GKPN (Global Kingdom Partnership Network), entidade que reúne várias igrejas pelo mundo e que está trazendo os refugiados ao Brasil.

Neste sábado, a RCUB (Representação Central Ucraniano-Brasileira) promoveu em Curitiba uma marcha pela paz em solidariedade à Ucrânia, em parceria com a OAB-PR (Ordem dos Advogados do Paraná) e outras entidades, com a presença de cerca de 300 pessoas.

“Como filhos desta mãe gentil exigimos que o Brasil aja já para parar a guerra de agressão. O Brasil é muito maior que um balcão de negócios para vender carne e soja e comprar ureia e potássio”, afirmou o presidente da entidade, Vitório Sorotiuk.

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