Chuva e caos. A dobradinha voltou a causar estragos em Curitiba e região. Durante o temporal da tarde de ontem, exatos 32.089 domicílios ficaram sem luz, por algum período, somente na capital. Incluindo a região metropolitana, o número de unidades desabastecidas totalizou 41 mil. O trânsito também sofreu as consequências do aguaceiro, registrando 80 cruzamentos nos quais os semáforos pararam de funcionar. E pelo menos 10 pontos de alagamentos na cidade foram contados pelo Corpo de Bombeiros.

Esses números, entretanto, não traduzem o drama de algumas pessoas. Na empresa Ala Marcenaria, a proprietária Leonor Lopes, precisou da ajuda dos bombeiros para salvar a vida do irmão Nilson Romero, de 59 anos. Ele fica permanentemente ligado ao aparelho que garante a sua respiração, por causa da chamada doença pulmonar obstrutiva crônica (abreviada por DPOC). Como a doença destrói os alvéolos, qualquer interferência no funcionamento do aparelho faz com que Nilson fique sem oxigênio. “Estamos reféns da chuva há três anos, por causa da obra na frente. Em cinco minutos de água, meu escritório e minha casa que está em anexo ficam repletas de lama”, contou Leonor.

Construção

“Pior é que além de precisar do aparelho, meu irmão também necessita de ambiente livre de umidade e mofo”, acrescentou. A irmã de Leonor, Joana, denuncia que os responsáveis pela obra, a Construtora Folador, alegam ter autorização da prefeitura para construir e, por esta razão, não precisam se preocupar com os prejuízos à vizinhança. “Antes desta obra do Condomínio Barigui Hills, o terreno era uma reserva de mata, e nunca deu problema com enchente. Desde que começaram as obras, ficamos em alerta com qualquer chuva, já que além dos estragos materiais, a forte correnteza de água e barro põem em risco a vida do meu irmão”.

Confira aqui a galeria de fotos e o vídeo da chuva.