Átila Alberti/O Estado
Sanepar acelera obras de prolongamento estrutural do Passaúna.

A se confirmar a previsão de chuva para o fim de semana, feita pelo Instituto Tecnológico Simepar, o racionamento de água em Curitiba e região não deve acontecer, pelo menos até o final do inverno, no dia 23 de setembro. Segundo o diretor de operações da Sanepar, Wilson Barion, no volume estimado – 40 mm por metro quadrado, deixará os reservatórios em um nível melhor. ?Estamos esperançosos, mas mesmo se chover, vamos insistir na economia da população?, diz.

A iminente ocorrência de chuva deve mudar o baixo índice pluviométrico registrado este ano. Em comparação com os anos anteriores, a diferença na incidência de chuvas é considerável. Excetuando março, último mês em que choveu com abundância, o índice pluviométrico deste ano é o menor dos últimos quatro anos.

Por isso, Barion explica que o grande problema não é necessariamente a ausência de chuvas no inverno, já que tipicamente se trata de uma estação seca. O problema foram os meses anteriores. ?No período em que os reservatórios se enchiam, isso não aconteceu. Agora, estamos sentindo a conseqüência?, cita.

Para tentar evitar o racionamento, que para ele seria inclusive um perigo de ordem sanitária, a Sanepar vem exercitando toda a logística que possui. Há dez dias, a barragem do Iraí foi fechada, mantendo o nível em 33,3%. A compensação de fornecimento está sendo dada pela barragem Piraquara 1, que está com 50% da sua capacidade e pelo uso das bacias incrementais das duas, que consiste na estrutura entre a represa e os reservatórios. Outra saída encontrada para compensar a baixa do Iraí foi acelerar obras de prolongamento estrutural da barragem do Passaúna, que fica ao sul de Curitiba. Nos arredores da barragem, equipes da Sanepar trabalham para ampliar o sistema. Ao contrário das demais, a capacidade do Passaúna está em 83%.

Segundo Barion, a diferença de volume se deve aos rios que abastecem cada uma delas. ?Ao contrário do que se imagina, tem chovido menos à leste, que é região de mata atlântica, do que ao sul. Desse modo, os rios que fornecem para Passaúna estão com um volume maior?, diz, referindo-se aos rios Passaúna e Cachoeirinha. Apesar de mais antiga que Iraí, Passaúna abastece cerca de 30% de Curitiba e região, contra 70% do complexo Iraí/Piraquara 1. A explicação tem a ver com a capacidade de água distribuída, condizente com a estrutura de engenharia construída em cada barragem. Iraí e Piraquara, cada uma, tem a capacidade de distribuir 3 metros cúbicos por segundo, contra 2 metros cúbicos do Passaúna, que abastece normalmente bairros nas regiões oeste e sul de Curitiba. ?Hoje estendemos o fornecimento do Passaúna em sua capacidade máxima, bem como Piraquara 1. Por isso, o fornecimento está sendo mantido?.

Fogo

O secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rasca Rodrigues, assinou uma portaria proibindo queimadas, mesmo autorizadas ou controladas para qualquer finalidade em todo o Paraná. ?A seca e o clima árido constituem um ambiente propício para a ocorrência de focos de incêndio, que podem tomar grandes proporções rapidamente?, alertou o secretário. Quem não respeitar a determinação, será multado em R$ 1,5 mil por hectare para atividades florestais e de R$ 1 mil para atividades agrícolas.