Aliocha Mauricio / O Estado do Paraná
Várias casas ficaram praticamente
destruídas após a tempestade de ontem.

Cerca de quinhentas famílias foram atingidas pela forte chuva que caiu na tarde de segunda-feira em Fazenda Rio Grande. Três casas foram totalmente destruídas e outras tiveram a estrutura abalada devido à força da água. Ontem os moradores tiraram o dia para limpar as casas e contabilizar os prejuízos.

A chuva começou por volta das 15h30 e, em poucos minutos, gerou prejuízos aos moradores. As pessoas que moravam em fundo de vale ou às margens de rios tiveram as casas invadidas pela água. A força da correnteza foi tão grande que chegou a destruir completamente três casas. Em uma das residências, havia uma mulher grávida de sete meses. Ela estava deitada na cama quando a casa foi arrastada. Só não foi levada pela água porque ficou enroscada em outra casa que ficava na frente do lote. A tragédia não foi maior porque os outros moradores estavam no trabalho ou na escola.

Mareuza Souza Castro dos Santos mora no terreno ao lado onde as casas foram destruídas. “A água veio das ruas que ficam na parte mais alta e correram para o riacho levando o que tinha pela frente”, lembra. A estrutura de sua residência ficou abalada e até ontem à tarde ela não sabia se tinha perdido muita coisa. Na noite de ontem, ela, o marido e os cinco filhos iam dormir em um dos cômodos que ofereciam mais segurança. Uma geladeira foi encontrada a dezessete metros do local.

Na casa de Cléa de Oliveira Ramos, todos passaram a noite em claro. A água atingiu um metro e vários móveis e eletrodomésticos foram perdidos. Cléa ficou com medo que a casa fosse levada embora. “A sorte é que a porta dos fundos não abriu”, relatou. Ontem, os vizinhos estavam ajudando a tirar o barro que ficou acumulado na casa. “Não sei se as roupas serão salvas. Vamos lavar para ver”, comenta.

Prefeitura

Os moradores chegaram a fazer ontem um protesto na prefeitura, pedindo providências. Segundo o prefeito Antônio Wandascheer, o problema ocorreu em áreas de fundo de vale ou próximas a rios. Ele explica que até hoje não havia sido feito na cidade um projeto de regularização fundiária. Só nos últimos quatro anos, 1,2 mil famílias já foram relocadas ou receberam melhorias em seus lotes. Outros projetos devem ser implementados. Ontem, máquinas da prefeitura estavam limpando bueiros e trocando manilhas por outras com vazão maior.

Previsão

A meteorologia prevê mais chuva e ventos fortes para o litoral Sul do Brasil. Um ciclone extratropical está se formando no mar e deve provocar ventos de até 80 km/h no mar e de até 60 km/h no litoral. Segundo a meteorologista Patrícia Madeira, da Climatempo, o ciclone se forma por causa da frente fria que avança pelo Sul e Sudeste do País, em contraste com o mar, que está quente. Patrícia afirma que o mar deve se elevar entre dois e três metros, principalmente hoje e amanhã. No entanto, o fenômeno está longe de se igualar ao furacão Catarina, que causou destruição no Sul do país no fim de março, com ventos de até 150 km/h.

O Paraná, porém, está fora da zona que deverá ser a mais atingida. Segundo o meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Cezar Duquia, até agora os estudos apontam que os ventos mais intensos devam atingir o norte do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.