João de Noronha / O Estado do Paraná
Em Curitiba, o dia virou noite.

Depois de quase dois meses de seca, as chuvas dos últimos dias no Paraná fizeram os agricultores voltarem a sorrir. Por outro lado, o temporal de ontem, principalmente na região dos Campos Gerais, deixou muitas pessoas com problemas em suas casas.

O economista do Departamento de Economia Rural (Deral ) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara, disse que as chuvas estão sendo benéficas para agricultura, pois repõe a umidade no solo. A chuva favorece ainda as pastagens, o desenvolvimento da cana-de-açúcar e a cafeicultura. No caso das plantações de café, quebra a dormência para o início da floração.

Ortigara lembrou que, dependendo da região, a seca durou entre 40 e 50 dias. “O que não pode acontecer é chuva em excesso. Por enquanto está bom, tanto para a lavoura de inverno (aveia, centeio, cevada, trigo) quanto para o plantio da safra da lavoura de verão (feijão, milho, arroz, amendoim, batata)”, contou, lembrando que apenas a colheita da safrinha 2003/2004 de milho e de trigo é que estavam sendo beneficiadas com a seca.

Temporal

Segundo o meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Samuel Braun, a tendência para hoje é que o tempo fique seco, mas com temperaturas mais baixas. As temperaturas devem ficar entre 9.ºC e 19.ºC em Curitiba. No Estado a mínima será de 7.º C, em Palmas, enquanto a máxima será de 21.ºC na região de Londrina. “As chuvas dos últimos dias foram causadas por uma grande área de instabilidade que surgiu no Oeste e seguiu para o Leste. De domingo até hoje (ontem) choveu mais de 100 milímetros na região central. A média mensal é de 100 a 150 milímetros”, contou.

Conforme o tenente Alessandro Galeski, da Defesa Civil Estadual, a chuva com granizo e vento da madrugada de ontem fez com que acontecesse destelhamento de casas e alagamentos em algumas cidades da região de Ponta Grossa. Entretanto, ninguém ficou desabrigado. A cidade mais atingida foi Ventania, que teve 244 residências afetadas. Em Telêmaco Borba foram 35 casas atingidas, enquanto outras 110 ficaram afetadas pela chuva em Ponta Grossa.

Segundo a Companhia Paranaense de Energia (Copel), a chuva e principalmente as descargas atmosféricas provocaram a interrupção de energia em 22 bairros de Curitiba ontem. Somando-se à Região Metropolitana, 101 mil casas ficaram por algum momento do dia sem o fornecimento de energia. A previsão era que tudo estivesse normalizado até a noite de ontem. Na região de Ponta Grossa, as regiões mais afetas foram as cidades de Cruz Machado e Sengés.

Mudança pode ser perigosa

A drástica mudança de temperatura pode ser prejudicial à saúde das pessoas. Os idosos, em especial, estão mais suscetíveis a ter problemas causados pela queda nas temperaturas. O geriatra Paulo Luiz Honaiser explicou que por natureza o idoso é mais sensível, mas que dentro dessa sensibilidade existem diferenças. “Há idosos sadios, com doenças e alguns que são dependentes por terem estado de saúde mais comprometido. A mudança drástica de temperatura pode afetar os três tipos, mas aquele que já tem uma vida saudável sofre menos”, salientou.

Conforme o médico, a nutrição, a atividade física e co-morbidade (presença de doenças paralelas como osteoporose, hipertensão, diabetes, etc) são fatores que determinam a sensibilidade às doenças. “As mudança de temperatura exigem que o organismo se adapte de maneira mais rápida”, lembrou Honaiser salientou que a prevenção é fundamental. “Agasalhar-se bem, não pegar “vento encanado”, evitar pisar no chão quando sair do banho são atitudes que ajudam a se prevenir”, explicou.

Conforme o meteorologista Fernando Mendes, do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), duas frentes frias seguidas que passaram pelo Paraná fizeram com que as temperaturas caíssem drasticamente, cerca de 50%. Enquanto na última semana as temperaturas chegaram a ultrapassar 30.ºC em vários pontos do Paraná, depois do último domingo as máximas ficaram próximas a 15.ºC. (LM)