O janeiro chuvoso acabou com a empolgação de muita gente que pretendia praticar o boiacross no Rio Nhundiaquara, em Morretes, no litoral do Estado. Essa é uma das atividades de lazer mais tradicionais na região.

Foi possível fazer a aventura apenas em seis dias em todo o mês. Na maior parte do tempo, o rio permaneceu interditado pelo Corpo de Bombeiros. O grande volume de água deixa as corredeiras mais perigosas e as pessoas podem ficar ilhadas de repente.

Quem aluga as boias e dá assistência para os usuários registrou pouco movimento justamente na época em que mais pode ganhar dinheiro. Ontem, devido à pouca precipitação na serra, registrada na noite anterior, foi possível fazer o boiacross com segurança.

Em média, o passeio custa R$ 15 por pessoa. O trajeto é de três quilômetros, que são percorridos em duas horas de passeio. Segundo Ibrahim Schmidt Segalla, proprietário da Pousada Itupava, a interdição constante do Rio Nhundiaquara já vinha desde outubro do ano passado.

“Janeiro foi muito ruim. Teve muita gente que se decepcionou quando chegou aqui e não pôde fazer o boiacross, principalmente quem veio do interior do Paraná e até do Paraguai”, afirma.

Para fazer o boiacross, não basta pegar a boia e se jogar na água. O rio tem muitas pedras e é preciso tomar cuidado para evitar acidentes. Por determinação da Marinha, todos os que alugam boias são obrigados a oferecer capacete e colete salva-vidas.

O tenente do Corpo de Bombeiros, Leonardo Mendes dos Santos, explica que há riscos com o nível baixo e também com o nível alto de água. “Com o nível baixo, podem haver colisões nas pedras e uma maior chance de lesões. Quando está para chover, quem está no rio pode ser surpreendido por uma cabeça d’água (a chuva que cai na serra bem forte). Logo o nível do rio aumenta. Pode deixar pessoas ilhadas”, explica.

A orientação é sair da água assim que perceber que o rio está mais turvo e as pedras se movendo. “Há um sistema de alerta feito em parceira com os moradores da região. Quando eles observam a chuva, nós pedimos emergencialmente para o pessoal sair do rio”, comenta Santos.

A chuva também pode causar uma correnteza mais forte, repuxos e redemoinhos. Apesar da pouca profundidade do Rio Nhundiaquara, podem ocorrer afogamentos. Algumas pousadas da região alugam as boias e passam as orientações necessárias para quem quer praticar o boiacross.

O guia regional Edson Luiz Gualdezi faz esse acompanhamento. De acordo com ele, uma das recomendações é, se caso houver algum imprevisto, sair pela margem do lado direito, onde existem trilhas que levam até a estrada das Prainhas.

Lá estão várias pousadas e estabelecimentos que alugam as boias. Gualdezi também orienta os usuários a vestirem camisas de manga longa, para evitar um contato permanente com a borracha da boia, que pode causar assaduras, e tênis.

Esses são essenciais para andar no rio, pois as pedras são escorregadias. “Também existe o jeito certo de sentar na boia, que ajuda na estabilidade. Nas corredeiras, se a pessoa está descendo e vem uma pedra na frente, o ideal é recolher as pernas e as mãos e deixar a própria boia bater na pedra”, aconselha.