João de Noronha
Estragos em diversos bairros.

A chuva não deu trégua ontem. A cidade virou um caos com as pancadas mais fortes, por volta das 9h e outra às 16h. Várias árvores caíram destruindo casas e danificando fios de energia elétrica. Devido à pouca visibilidade e à escuridão, que começou cedo, também não foram poucas as colisões. As ocorrências mais graves, segundo registros da Central de Operações do Corpo de Bombeiro, foram na Rua Fernando de Noronha, 3207, no Boa Vista, onde a árvore caiu sobre uma casa, danificando o telhado, e no Pilarzinho, a situação era ainda pior: na Eugênio Flor, 304, eucalipto de grande porte destruiu o telhado e parte da residência; e na Manife Tacla,1270, aconteceu o mesmo.

Na Estrada da Graciosa, uma árvore caiu sobre os fios de energia e bloqueou a via. Por conta das quedas de árvores sobre os fios elétricos, Bairro Novo e Pilarzinho ficaram sem luz. A energia também caiu no bairro das Mercês e proximidades do Portão. O número de colisões, até o final da tarde de ontem, era superior a 10. Na BR-116, próximo ao Posto 21, em Fazenda Rio Grande, acidente entre três veículos fez oito vítimas.

Ontem o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) também registrou chuva de granizo com pedras pequenas em alguns pontos da cidade. Um desses locais foi o Palácio Iguaçu. As pedras destruíram as lonas do Festival de Arte da Rede Estudantil (Fera) e feriram uma mulher. O evento foi suspenso ontem, mas continua hoje.

Meteorologia

De acordo com o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), a chuva foi ocasionada por áreas de instabilidade que começaram de madrugada, no Oeste do Estado e passaram pela cidade. Até as 19h, havia chovido mais de 40 milímetros. A chuva mais intensa foi entre 9h e 10h, com 14,6 milímetros. O vento, que ficou mais forte entre 16h e 17h, chegou a 43 quilômetros por hora. Segundo o meteorologista Marcelo Brauer, o suficiente para causar estragos. A previsão do Simepar é de mais chuva, trovoadas, instabilidade e vento para hoje. A temperatura mínima será 12 graus e a máxima 18 graus.

Perde tudo mais uma vez

A auxiliar de cozinha Maria Madalena Felisberto, 32 anos, teve sua casa destruída por um eucalipto, durante o temporal de ontem à tarde. As quatro crianças que estavam na residência, no terreno de fundos do número 304, da Rua Eugênio Flor, Pilarzinho, conseguiram escapar. Esta foi a segunda vez que a mulher perde tudo por causa de árvore, em meio a tempestade.

A casa onde Maria morava com seus quatro filhos fica à beira do barranco e é cercada por eucaliptos. A mulher contou que não estava em casa na hora da chuva, mas suas crianças, quando começou o vendaval, foram para a vizinha, no topo do barranco. ?Levei quase um ano para construir esta casa, de duas peças, e agora está tudo perdido?, lamentou a mulher. Os bombeiros foram chamados, mas, devido à chuva, deixaram o trabalho de remoção da árvore para hoje.

Drama

Há cerca de dois anos, a casa de Maria ficava em outro ponto do mesmo terreno e também foi destruída por uma árvore.