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Pessoas de baixa renda são as últimas a receberem a medida.

Uma pesquisa feita no Paraná constatou a relação entre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das cidades brasileiras e a fluoretação da água.

De acordo com a pesquisa, que envolveu alunos e professores do curso de pós-graduação em Saúde Pública da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), nas cidades com menor IDH, a adição de flúor na água demorou mais a acontecer e resultou em mais problemas de saúde bucal na população.

?Os municípios com pior IDH são os últimos a receberem a medida (da fluoretação)?, diz o professor Samuel Moysés, que coordenou a pesquisa. ?As pessoas de baixa renda são as que recebem a medida por último, quando recebem?, completa. Estima-se que o custo para beneficiar a população com a fluoretação seja de US$ 0,15 por pessoa em um ano. ?É muito barato?, diz Moysés. ?Qualquer tratamento dentário custa R$ 120 a R$ 150. É uma medida excelente e de baixíssimo custo?.

Quem começou a pesquisa foi a odontóloga Marilisa Gabardo, sob orientação do professor Moysés. Para ele, a fluoretação é um assunto ?muito importante na história da saúde pública?. O professor completa: ?É considerada uma das dez principais medidas nesta área, no século 20?.

A primeira fase da pesquisa contemplou apenas cidades paranaenses. Foram 323 municípios pesquisados. A constatação foi de que a fluoretação foi implementada mais cedo nas cidades com maior IDH. O estudo foi publicado em abril, na revista científica Community Dentistry and Oral Epidemiology.

No artigo, os autores dizem que ?a fluoretação parece refletir a existência do desenvolvimento de desigualdades sociais, pois a medida foi disponibilizada antes nas áreas mais desenvolvidas socialmente, produzindo assim uma influência na performance atual de seus problemas dentários?.

Numa segunda fase, segundo Moysés, a pesquisa foi ampliada para várias cidades brasileiras. A constatação foi parecida, porém com uma diferença: ?Muitos municípios ainda nem têm a medida aplicada. Nas regiões Norte e Nordeste, são mais de 80%?. Essa fase da pesquisa deverá ser publicada em maio.

O professor Moysés diz que esse fenômeno é chamado de ?lei dos cuidados inversos?. ?É inversamente proporcional o nível de cuidado com os que mais precisam. Há estudos europeus, inclusive, sobre isso?. A sugestão do professor é simples: ?Primeiro, levar água potável à população e segundo, que a água tenha os componentes que produzam medidas de proteção, como o cloro e o flúor?.