Uma semana depois das enchentes que tomaram conta das cidades do Norte Pioneiro do Paraná, o trabalho para reconstrução e recuperação do que sobrou continua. A água baixou, mas a volta à normalidade vai acontecendo aos poucos e ainda deve demorar meses.

O saldo negativo da chuva está por todos os lados. Agricultura destruída, mudança de paisagem ao longo do Rio das Cinzas, falta de acessos e pontes levadas pela enxurrada, sem contar as perdas pessoais dos moradores, que ainda estão assustados com o que aconteceu.

Mesmo tendo restabelecido parte da energia elétrica e da água, o município de Sengés continua enfrentando problemas de acesso, para quem precisa passar de carro, e com a telefonia fixa. Tentar um contato oficial pelo telefone na prefeitura ou em outros órgãos municipais é uma tarefa difícil.

Embora estejam chegando roupas e água, provenientes de doação, uma das maiores necessidades agora em Tomazina é de produtos de higiene e de limpeza, que se esgotaram no município. A cidade ainda tem muitos pontos com a lama e o pó que insistem em reaparecer, apesar dos esforços da população. “Minha casa ainda está cheia de barro, tem que esperar desocupar as mangueiras, que estão sendo bastante disputadas. É uma sensação muito ruim. A gente desanima”, relata a doméstica Sueli Aparecida de Assis, que mora com a filha, de 11 anos, no Jardim Santo Antônio, bairro mais atingido, inclusive com deslizamento.

Até então um dos pontos turísticos da região, o Rio das Cinzas, local de competições de rafting e canoagem, está diferente. A mata ciliar já não existe mais. Ficou apenas o barranco ao redor, mudando totalmente a paisagem local.

A interrupção do tráfego por meio da ponte sobre o Rio das Cinzas, sem previsão de ser liberado, atinge o comércio local, que em boa parte ficou fechado no início da semana. No posto de combustíveis São Paulo, gasolina e álcool dos tanques foram perdidos. “A análise do combustível foi feita na quarta, quando o posto voltou a funcionar. Mas, com a ponte interditada, o comércio reduziu muito, porque grande parte dos meus clientes fica do lado de lá da ponte”, conta o proprietário do posto, Paulo Vilas Boas Furini. A média de 4 mil litros por dia vendidos caiu para 500 litros nos últimos dias.

Em São José da Boa Vista, o prejuízo estimado é de R$ 6 milhões, sem contar as perdas agrícolas, segundo informações do prefeito e presidente da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi), Dilceu Bona. A maior parte dos danos foi causada na zona rural do município. Por isso, ontem foi dia de recuperação das estradas rurais por equipes da prefeitura.

Das 116 pontes que existem em São José, 70 foram danificadas, incluindo 15 de concreto. Algumas chegaram a ficar até 12 metros submersas. Dez casas foram alugadas pelo município para abrigar pessoas que perderam suas moradias. A previsão do município é que as coisas voltem ao normal somente daqui a seis meses.

Saiba como fazer doações

A destruição das cidades do Norte Pioneiro acarretou graves prejuízos para a população. Toda ajuda está sendo considerada bem-vinda. Tomazina, Sengés e São José da Boa Vista divulgaram formas para a população contribuir com as pessoas atingidas pelas enchentes, com água, alimentos, roupas, materiais de construção, de limpeza e móveis.

As prefeituras de Tomazina e Sengés têm contas correntes abertas especificamente para esse fim, ambas do Banco do Brasil, para doação de qualquer valor.

Em Tomazina, as doações podem ser feitas pela conta corrente 10.000-5, agência 4786-4. Para Seng&e,acute;s, a conta é 15.085-1, agência 2677-8, e o telefone para contato é (43) 3567-1155. O telefone da assistência social em São José da Boa Vista para doação de alimentos, roupas e cobertores é (43) 3565-1001.

Doações podem ser feitas também no Paraná Clube, em frente às bilheterias principais na Vila Capanema. Hoje, podem ser entregues das 9h até o início do jogo, às 16h50.