O inverno voltou a ficar rigoroso, mas em torno de mil dos 4,4 mil motoristas e cobradores de ônibus da Rede Integrada de Transporte (RIT) ainda não receberam o reforço no uniforme para se proteger do frio. Na Praça Rui Barbosa, não foi difícil encontrar trabalhadores nas estações-tubo que não conseguiram ter acesso ao kit inverno que, neste ano, foi reduzido a uma jaqueta modelo parca.

A cobradora Ana Flavia Dias de Lima teve a sorte de pegar o kit do ano passado, formado por manta, gorro, luvas e pulôver. “Não entendo por que o nosso sindicato aceitou trocar tudo isso por uma jaqueta que nem esquenta e ainda é desconfortável para trabalhar. E mesmo assim, a jaqueta não veio para todo mundo”, reclama. Ela conta que, em 2012, só conseguiu pegar o kit depois que passou o inverno e neste ano a jaqueta recebida não é do seu tamanho. “Cabem três de mim na roupa, mas disseram que não havia menor”.

Pé congelado

O cobrador Geraldo Célio Grabowski até agora está sem a jaqueta. “Não consegui pegar nem no ano passado nem neste ano. O jeito é trazer coberta e colocar três calças e várias blusas por baixo do uniforme”, revela. “Tem muita gente que não está aguentando este frio. O vento encana e se chove, o pé congela ainda mais. Dói trabalhar assim”, acrescenta Ana Flavia. “É uma judiação o que estão fazendo com quem trabalha nos tubos”, lamenta a zeladora Maria Helena Terezinha, usuária do sistema.

Hoje a Urbs vai enviar a segunda notificação, pedindo explicações de todas as empresas do transporte coletivo sobre a mudança dos itens do kit, além de informações sobre a quantidade de kits disponibilizados e previsão para que todos os funcionários recebam. Na primeira notificação, em junho, foi contabilizada a entrega de 40 kits. As empresas correm risco de ter que devolver o valor já recebido pelos kits, que equivale a R$ 0,0012 por passagem. Até 26 de fevereiro de 2014, período da repactuação tarifária, somaria R$ 360 mil.

Sindicato exige explicações

O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) adiantou que irá pedir explicações do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) sobre a demora na entrega dos kits.

Segundo o Setransp, faltam ser entregues aproximadamente mil dos quase 5 mil kits que devem ser distribuídos. O cronograma da empresa responsável pelo fornecimento prevê que as entregas das jaquetas restantes ocorram nos dias 24 e 28 deste mês e 4 de setembro.

A entidade patronal ressaltou que a definição dos itens que compõem o kit é feita anualmente em reunião com o sindicato dos trabalhadores. No acordo firmado entre as partes, a viabilização do fornecimento do kit foi a explicação dada para a redução dos itens a uma jaqueta.