Os funcionários da empresa responsável pela coleta de lixo de Curitiba decidiram entrar em greve na manhã desta quinta-feira (10) e paralisaram todas as atividades. Coletores, garis e outros responsáveis pela limpeza urbana protestam por aumento salarial. A manifestação partiu dos próprios trabalhadores, que reivindicam um retorno da Cavo sobre o aumento salarial e revisão dos benefícios solicitados pela categoria em assembleia realizada no dia 31 de janeiro.

Segundo o Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de Curitiba (Siemaco), a empresa teria até o dia 28 de fevereiro para apresentar sua proposta na negociação, mas não teria se manifestado. Os trabalhadores pedem 20% de reajuste salarial e 50% de aumento no valor recebido como vale-refeição e vale-alimentação. Eles solicitam ainda a transformação do quinquênio – 5% de aumento sobre o salário pago a cada cinco anos – em anuênio, o que significa que o reajuste seria realizado a cada ano. Além disto, os trabalhadores lutam pela redução de jornada de 44 para 40 horas. 

De acordo com Everton Alan Klenki, um dos trabalhadores que participa do movimento, o grupo estaria preocupado com o futuro das negociações e com possíveis demissões, uma vez que a Cavo foi adquirida pela empresa Estre, no último final de semana. Ele também reclama que o sindicato não estaria representando os trabalhadores. “Eles não deram nenhum retorno sobre as nossas reivindicações e nós não fomos avisados da venda da empresa. O sindicato não se manifesta e se nós não parássemos hoje, eles nem viriam aqui para falar com a gente”, disse. Klenki afirma que os trabalhadores desejam negociar e gostariam de formar uma comissão para discutir as exigências com a nova diretoria. 

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Já o roçador William Amilton Rodrigues também diz que uma nova política de recursos humanos estaria revoltando os funcionários, com falta de equipamentos de proteção e recusando-se a aceitar atestados entregues depois de 24 horas. “Eles não valorizam a gente como ser humano. Se não morrer na frente deles não aceitam o atestado”, disse revoltado. 

O presidente do Siemaco, Manasses Oliveira, confirmou que a manifestação partiu dos funcionários. Segundo ele, o sindicato não teria se manifestado até o momento porque a empresa estaria cumprindo os prazos propostos na negociação e teria dado garantia da manutenção da data-base, com reajuste retroativo a data-base da categoria, 1º de março. Oliveira também afirmou que o sindicato não foi avisado com antecedência sobre a transferência de comando da empresa e que isso teria causado preocupação aos funcionários. Segundo ele, o sindicato irá agora aguardar a posição da empresa sobre a pauta de negociações para convocar uma nova assembleia. Enquanto isto não ocorrer, a decisão da categoria é por greve por tempo indeterminado. Até o momento não há informação de quantos trabalhadores estão parados.

A assessoria de imprensa da Cavo informou que, por volta das 10h30, a diretoria da empresa já havia iniciado a negociação com uma comissão formada pelo sindicato e representantes dos trabalhadores. A empresa deverá divulgar até o final da manhã uma nota oficial sobre o assunto.