A volta às aulas no Paraná será gradativa e com a mescla entre as aulas presenciais e ensino remoto (aulas transmitidas ao vivo das salas de aula) nas escolas públicas a partir de 10 de maio. Os detalhes sobre o retorno foram anunciados pelo governador Ratinho Júnior (PSD) na manhã desta terça-feira (4), no Palácio Iguaçu, em Curitiba. Professores serão vacinados.

>>> Vídeo: Veja como foi a transmissão feita direto da sede do governo do Paraná nesta terça-feira

De acordo com o governador, a decisão foi tomada a partir de várias reuniões com equipes multidisciplinares das secretarias estaduais da Saúde e da Educação. Também se levou em conta estudos de 21 países que já tiveram o retorno escolar. Para as aulas presenciais, serão exigidos das escolas os protocolos sanitários contra o contágio do coronavírus (covid-19), como uso de máscara, distanciamento social de 1,5 metros entre as pessoas, higienização dos espaços e uso constante do álcool em gel. A autorização dos pais também será exigida.

As escolas da rede estadual estavam preparadas para o retorno desde fevereiro deste ano, com a organização das direções das escolas para cumprir os protocolos sanitários exigidos por causa da pandemia. Havia, inclusive, a previsão do retorno do ensino híbrido para 1.º de março e vários encontros pedagógicos entre professores, funcionários e pais de alunos foram feitos. Porém, o aumento no número de casos de covid-19 no estado, neste período, obrigou o governo a intensificar os cuidados contra o contágio e, por decreto, o retorno das aulas presenciais foi suspenso.

Lá em fevereiro, o objetivo dos encontros pedagógicos foi ambientar os pais, alunos e funcionários com as normas do protocolo de biossegurança da Secretaria Estadual da Educação e do Esporte (Seed) contra o contágio do coronavírus (covid-19). Também explicar à comunidade como seria o uso das tecnologias para as aulas simultâneas em sala de aula e em casa, além de repassar cuidados com a higienização dos espaços escolares e dos cuidados sanitários pessoais que os alunos deveriam adotar.

“Como tudo isso já foi feito, a partir de agora é colocar o planejamento em prática. Estamos nos inspirando, com toda a cautela, no estudo de 21 países que colocaram dentro desse estudo que a escola não é o grande problema da transmissão do coronavírus. São países que não pararam ou, se pararam, foi por um período curto”, disse Ratinho Junior.

O secretário de Educação, Renato Feder, explicou que, neste retorno gradativo, serão priorizadas escolas da rede estadual de regiões de mais vulnerabilidade e em cidades que já estejam em fase de abertura das medidas restritivas contra o coronavírus. “Nas cidades que reabriram, o trabalho de planejamento com o transporte escolar e distribuição de merendas fica mais acessível. Nas regiões de mais vulnerabilidade a prioridade são os alunos que, por vários motivos, não estão tendo acesso à tecnologia para acompanhar as aulas on-line que não pararam no estado”, disse.

Feder ainda destacou que o ensino será híbrido, com cerca de metade dos alunos no presencial e metade no ensino remoto, mas com aulas ao vivo. “Grande parte das escolas já está preparada para esse sistema, com notebooks e internet para o aluno de casa poder interagir com o professor em sala de aula”. O secretário também falou que a expectativa da secretaria é aumentar gradativamente o retorno das escolas entre os meses de maio e junho.

Vacinação de professores

Segundo o governador Ratinho Júnior, as novas doses de vacinas que chegaram ao Paraná serão utilizadas em grupos prioritários de profissionais da educação. Serão 32 mil primeiras doses aplicadas para profissionais entre as idades de 55 a 59 anos. “Somando esse número com as 8 mil doses que foram aplicadas em profissionais da educação da faixa dos 60 anos, teremos 40 mil vacinados no Paraná. As doses serão distribuídas de forma igualitária nas cidades do estado”, explicou o governador.

O secretário de Saúde, Beto Preto, disse que a possibilidade de retorno das aulas é um momento muito aguardado e que a decisão não tem caráter empírico. “É uma metodologia que vem sendo conversada há mais de um ano entre as secretarias da Saúde e Educação. Passamos os últimos quase 60 dias em um combate diário da pandemia, o que atrasou o planejamento da Educação que estava pronto para o retorno desde fevereiro. Os números ainda são altos, mas eles tem um viés de baixa, o que possibilita o retorno com o cumprimento das medidas sanitárias”, ressaltou.

Sobre a vacinação, Beto Preto destacou o planejamento do estado e explicou que, após essas 32 mil doses que serão aplicadas por faixa etária nos profissionais de educação, a próxima divisão de cronograma, quando chegarem mais vacinas, levará em conta os grupos de profissionais que estejam trabalhando. Ou seja, além da idade, os profissionais das escolas que já estiverem abertas serão prioridade.