Lucimar do Carmo / GPP
Lucimar do Carmo / GPP

Edgar Ferreira: grande economia
de energia elétrica.

O alto preço do gás de cozinha, cujo botijão de 13 kg pode ser encontrado entre R$ 27,00 e R$ 30,00 na capital, vem contribuindo com o aumento das vendas de lenha. Segundo um estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, entre os anos 2000 e 2005 "a participação do GLP na energia consumida nos lares brasileiros caiu de 31% para 27%, enquanto a da lenha subiu de 32% para 38%". Em Curitiba e municípios da região metropolitana, a diferença foi sentida por pessoas que comercializam lenha.

Segundo o responsável pela Casa da Lenha Susin, localizada em Pinhais, Arnaldo Luiz Susin, qualquer aumento do preço do gás faz com que as pessoas passem a consumir mais lenha. "Muita gente que nunca usou lenha chega a experimentar. Nos últimos anos, as vendas em meu estabelecimento aumentaram entre 30% e 40%, principalmente nos meses de inverno", afirma.

Nos dias de frio, o produto passa a ser utilizado tanto em fogões quanto para aquecimento de ambientes. A responsável pelo depósito de lenhas Chaves, em Curitiba, Terezinha Justino da Silva, conta que no inverno do ano passado chegou a comercializar sete mil sacos de vinte quilos de lenha. Nos últimos cinco anos, período ao qual se refere a pesquisa do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, ela passou a vender o dobro do que vendia até o final de 1999. "Devido ao preço do gás, muita gente voltou a apreciar a comida feita no fogão à lenha", comenta.

O aumento do consumo também faz com que a venda de fogões à lenha passe a ser um negócio mais lucrativo.

Na Casa do Fogão à Lenha, em Curitiba, o proprietário Edgar Ferreira revela que a comercialização do equipamento cresce a cada ano. "Existem estudos que afirmam que a comida perde menos os nutrientes quando preparada no fogão à lenha. Além disso, os fogões que não são a gás podem servir para aquecer a casa, secar a roupa e, em alguns casos, para aquecer a água do banho, também gerando economia de energia elétrica."

A madeira mais utilizada como lenha é a bracatinga, uma árvore nativa, que se desenvolve apenas em locais frios e que geralmente é cultivada em pequenas propriedades rurais. Nos dois estabelecimentos que comercializam lenha acima citados, um pacote de 20 kg de lenha de bracatinga custa entre R$ 6,00 e R$ 7,00. Já um fogão à lenha pode custar entre R$ 370,00 e R$ 1.000,00, dependendo do modelo escolhido.

Sindigás

O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás), Sérgio Bandeira de Mello, se diz surpreendido com os dados divulgados pelo centro. Segundo ele, o alto preço do gás se deve à falta de subsídios e também à carga tributária que incide sobre o produto. "Desde dezembro de 2001, acabaram os subsídios e os preços praticados pela Petrobras foram atrelados à paridade internacional. Em janeiro de 2002, o dólar disparou e um botijão que custava R$ 14,00 foi para R$ 30,00. Este preço se manteve estável por bastante tempo, só caindo cerca de 2,5% (média nacional) nos últimos doze meses. Além disso, entre R$ 7,00 e R$ 7,50 do preço do gás são impostos federais e estaduais, o que faz com que a carga tributária seja incompatível com a relevância social do produto. Tudo isso contribui para que as pessoas migrem para a utilização da lenha, um combustível primitivo, que não tem nada de romântico e é ambientalmente incorreto", declara.