Foto: João de Noronha/O Estado

Paraná quer vacinar 70 mil.

Começou ontem, em todo o País, a vacinação contra o rotavírus, que causa uma das mais graves diarréias infantis. A partir de agora, a vacina passa a fazer parte do calendário básico de vacinação das crianças menores de um ano de idade. Nessa primeira fase, serão vacinadas as crianças com idade entre 1 mês e 15 dias e 3 meses e uma semana e, a vacina será inclusa na carteirinha de vacinação de todos os recém-nascidos, assim como as vacinas contra a poliomielite, a tetravalente (contra difteria, coqueluche, tétano e meningite) e a SRC (contra sarampo, caxumba e rubéola), entre outras. Trinta dias após a vacinação, precisa-se tomar uma nova dose.

Com a implantação da vacina, o governo federal, os estados e os municípios esperam evitar cerca de 850 mortes nessa faixa etária, a cada ano, no Brasil. A redução corresponde a 34% do total de óbitos que ocorrem em menores de cinco anos, de acordo com estudos sobre o uso da vacina em crianças. No Paraná, 27 mil doses já foram distribuídas para as unidades de saúde e, até o fim do ano, pretende-se vacinar 70 mil crianças. "A principal diferença dessa em relação às outras vacinas é a pequena margem de tempo que o pai tem para vacinar seu filho. Se a criança não receber a primeira dose entre os 45 e os 97 dias de vida, não terá mais a oportunidade de ser imunizada", alertou a chefe do Centro de Informações de Diagnósticos da Secretaria de Estado da Saúde, Inês Vian.

Em Curitiba, o pontapé inicial à vacinação foi dado ontem pelo vice-prefeito e secretário municipal da Saúde, Luciano Ducci, que aplicou as primeiras doses da vacina em bebês de dois e quatro meses de idade, na Unidade de Saúde Bom Pastor, na Vista Alegre. A vacina já está disponível em todas as unidades de saúde da cidade. "A expectativa é reduzir em um terço o número de internamentos por rotavírus e em 20% o de casos da doença", ressaltou Ducci.

Curitiba tem uma média de 300 a 500 internamentos por rotavírus e uma média de 16 mil consultas na rede municipal de saúde por ano. "A diarréia provocada pelo rotavírus é muito aguda e desidrata rapidamente a criança, podendo levá-la ao internamento hospitalar e até à morte", explicou Karin Luhm, diretora do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde.

A vacinação contra o rotavírus acompanha determinação do Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde. Referência em doenças imunopreviníveis desde a erradicação da poliomielite, o Brasil se torna o primeiro país do mundo a incluir a vacina anti-rotavírus no sistema público de saúde.

No mundo

O rotavírus é responsável por um terço dos casos de hospitalização por vômitos e diarréias no mundo. A incidência da doença é maior em crianças entre seis meses e 24 meses de idade. Adultos podem se infectar, mas geralmente são casos leves e até assintomáticos.

São reconhecidos sete diferentes grupos de rotavírus. A doença tem um período de incubação de um a três dias, e os sintomas aparecem rapidamente: diarréia, vômito e febre. A diarréia geralmente é intensa, podendo evoluir para a desidratação grave. A transmissão ocorre no contato pessoa a pessoa – especialmente por mãos contaminadas -, através da água, alimentos e objetos infectados.