A tão esperada e comentada vacinação para a gripe A (H1N1), para prevenir contra a segunda onda da doença, prevista para chegar ao Brasil durante o inverno, começa a ser feita, com a imunização de indígenas e profissionais de saúde. No Paraná, são 167 mil doses para a primeira fase da vacinação. A expectativa é que o Estado receba até 5 milhões de doses para imunizar os paranaenses.

A coordenadora do programa estadual de imunizações, Beatriz Bastos Thiel, afirma que a única contraindicação para a vacina é a hipersensibilidade a um dos componentes da fórmula. “Para aqueles que apresentam sintomas de alguma doença é recomendado que aguarde a melhora antes de se vacinar. As grávidas não têm o que temer: a vacina pode ser aplicada em qualquer idade gestacional”, explica.

A vacinação começa a ser feita no momento em que o hemisfério norte, que já passou pela fase mais crítica da doença neste ano, quer se livrar das doses de vacina compradas e que sobraram. A inclusão do grupo de pessoas dos 30 aos 39 anos foi possível depois que o Brasil adquiriu essas doses excedentes.

Uma confusão que muitas pessoas têm feito nesse momento, ao criticar o Ministério da Saúde e exigir dose para todos, é que a vacinação não tem o intuito de impedir a circulação do vírus H1N1 em território nacional. O objetivo é evitar casos graves e mortes em decorrência da doença e por isso foram definidos os grupos prioritários (ver box), com base nos dados epidemiológicos observados na primeira onda da pandemia no País, em 2009, e na experiência de outros países.

Em todo o Brasil, há doses para mais de 90 milhões de pessoas e a meta é imunizar 80% dos pertencentes aos grupos prioritários, o que deve caracterizar a maior vacinação já feita no mundo. “Nesse tipo de situação, tem que se preparar para o pior. Se “o pior’ não vier, podemos enfrentar o problema de forma mais tranquila. A gente está mantendo toda a conduta de enfrentamento a partir do período de encerramento da pandemia no ano passado, esperando uma segunda onda tão ou mais intensa que a primeira, embora a perspectiva seja de uma segunda onda mais branda”, explica o secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin.

Ter uma situação mais amena do que a enfrentada em 2009 justifica-se porque agora a gripe A já não é mais um “mistério” para a comunidade científica. “Além disso, temos um bom número de pessoas imunizadas, que já tiveram a gripe e que não se pode calcular exatamente quantas são, mas junto com as 5 milhões de vacinas, teremos mais da metade da população imunizada de alguma forma, o que dá uma perspectiva mais alentadora”, acredita Martin. No entanto, o secretário lembra que problemas continuarão existindo, assim como mortes causadas pela doença.

Vacina não vai faltar, garante o secretário. “Poderá ter um ou outro momento de maior pressão, porque a vacina não vem toda de uma vez”, explica.

Prevenção

Mesmo tomando as vacinas, a recomendação dos especialistas é não esquecer as medidas básicas de prevenção e que podem fazer a diferença: manter ambientes arejados; lavar as mãos frequentemente com água e sabonete; usar álcool gel para limpeza das mãos e evitar contato direto com secreção respiratória de pessoas gripadas.

Crianças

O deputado federal paranaense Gustavo Fruet (PSDB) enviou um ofício ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, pedindo a inclusão de crianças em idade escolar na vacinação contra a gripe A, reforçando uma reivindicação da União dos Dirigentes Municipais da Educação (Undime). Até o fechamento desta edição, o Mi,nistério não tinha se pronunciado oficialmente sobre o assunto.

O Paraná foi o Estado brasileiro que mais registrou mortes durante a primeira onda da doença, foram 294, de julho de 2009 a fevereiro deste ano. No ano passado, aulas foram suspensas, shows foram cancelados e até e-mails falsos com informações para deixar a população em pânico proliferaram pela internet.

Vacina também será vendida, mas ainda não se sabe quando

Quem está fora dos grupos selecionados como prioritários pelo governo brasileiro já procura adquirir a vacina por meio das clínicas privadas. Mas ainda não há nada garantido, nem ao mesmo uma data definida para início da comercialização.

Além do Instituto Butantan, que está fabricando a vacina exclusivamente para o setor público, duas empresas já foram autorizadas a produzir pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): a GlaxoSmithKline e a Sanofi Pasteur.

A ideia é fabricar uma vacina trivalente, composta por cepas do vírus H1N1 pandêmico e outros dois tipos que circulam no hemisfério sul, um “A” e um “B”, mas as empresas informaram que não há previsão de quando esta vacina estará disponível no mercado. De acordo com a Anvisa, o preço será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, formado por uma equipe interministerial.

Laboratórios como o Frischmann Aisengart/Dasa já divulgaram que têm negociada a compra de vacinas e aguarda liberação da Anvisa. Segundo o sanitarista Ricardo Cunha, responsável pela área de vacinas da Dasa, durante os surtos epidêmicos de inverno a gripe acomete até 15% da população, podendo chegar a 30% nas grandes epidemias.

A vacinação apresenta até 90% de eficácia e deve ser aplicada anualmente, já que o vírus sofre mutações. A vacina não é indicada para pessoas com alergia comprovada à proteína do ovo e menores de seis meses, já que a produção é a partir de embriões de galinha.

Como é a mesma metodologia da vacina para gripe sazonal, a estimativa, ainda não confirmada, é que a vacina para a gripe A custe entre R$ 50 e R$ 60 a dose. A procura pela vacina começou ainda no ano passado. Há duas semanas o Frischmann abriu uma lista de intenção para as pessoas que querem adquirir a vacina.

Interessados em adquirir a vacina podem entrar em contato com a central do laboratório Frischmann em Curitiba, pelo telefone
4004-0103. (LC)