Chuniti Kawamura / GPP

Em apenas 20 dias, foram registradas duas mortes por atropelamentos no local.

No cruzamento entre as avenidas Visconde de Guarapuava e Marechal Floriano Peixoto, em Curitiba, comerciantes dizem passar o dia esperando um próximo acidente. Cansados da situação, eles pedem atenção aos motoristas do ônibus expresso, pedestres e órgãos responsáveis. ?Vamos nos mobilizar e fechar o trânsito aqui se acontecer mais um acidente?, ameaça Maurício Mariano, funcionário da Honda.

Em 20 dias, foram duas mortes por atropelamento no local. A última foi na última quarta-feira. ?Para nós é difícil. Nesse último atropelamento os clientes, que estavam almoçando, largaram os pratos e deixaram de comer?, reclama Maria Ezorette Rosa, do restaurante de uma das esquinas do local. A reclamação não é só dela, os funcionários da Country Motos também têm queixas. ?É só observar. Fique uma hora aqui. Todo mundo reclama. A gente convive diariamente com isso, sabemos do problema. A gente ouve buzina, já pensa que é outro?, afirma Dilson Morais.

As principais causas apontadas são imprudência dos motoristas do ônibus expresso que circula no local e falta de sinalização que alerte quanto ao tráfego do veículo na mão contrária ao fluxo normal da via.

Enquanto verificava a situação do cruzamento, a equipe de O Estado foi surpreendida por mais um ?quase atropelamento?, dessa vez por falta de atenção de pedestres.

Denílson Pires, presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores nas Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Sindmoc), comenta a acusação de imprudência. ?Quando o sinal está amarelo, muitas vezes até pisar o freio e segurar ele passa. É até mais aconselhável passar do que tentar parar, mas dificilmente algum motorista vai furar deliberadamente o sinal?, afirma. Ele completa dizendo que nas vias exclusivas do expresso, quem deve prestar atenção são os condutores de veículos pequenos e pedestres. ?O motorista deve cumprir o trajeto e horário determinados?, diz.

De acordo com o levantamento do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), o cruzamento ocupa o quarto lugar em acidentes. Desde o início do ano, atendidos pelo órgão, foram cinco, o que não significa que não teve outros de pequeno porte. O que ocorre, no local, é que os pedestres olham apenas para o fluxo dos demais carros, afinal a mão das três pistas é sentido centro e o expresso circula no sentido oposto, em uma única pista. Em relação à falta de uma sinalização que chame a atenção dos transeuntes quanto a essa situação, o Diretran informou que existe um projeto de reforço de sinalização do local, prevendo o instalação de grades ao longo da via do expresso e placas educativas para os pedestres.

Clonagem de veículos cada vez mais comum

Cintia Végas

Receber uma multa, ter a certeza de que a infração não foi cometida e descobrir que a placa do próprio veículo foi clonada não é um problema incomum. Do último dia primeiro de janeiro até ontem, a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos registrou 76 casos de clonagem em Curitiba. No mesmo período de 2004, foram 71 e, de 2003, 79.

Segundo o coordenador do Detran-PR, Cícero Pereira da Silva, as placas clonadas geralmente são utilizadas em carros roubados ou usados para assaltos e outros atos criminosos.

?Desde 2000, com o objetivo de minimizar o problema, o Detran-PR trabalha com sistemas informatizados e emite autorização para que os fabricantes possam confeccionar placas de carros novos e usados. Porém, não temos controle sobre a matéria-prima utilizada na confecção e as adulterações acabam sendo possíveis?, diz.

Quem desconfiar que teve a placa clonada deve realizar um boletim de ocorrência na Delegacia de Furtos e Roubos e, com o documento em mãos, procurar o órgão emissor da multa (Detran-PR, Diretran, Polícia Rodoviária Federal ou Estadual). Na delegacia, a informação é colocada num sistema on-line e policiais são designados a ir até o local onde a multa foi registrada para realizar investigações.

A jornalista Fabiane Prohmann começou a desconfiar que a placa de seu carro havia sido clonada em novembro de 2003. ?Recebi uma multa registrada em uma estrada do Rio Grande do Sul pela qual eu nunca havia passado?, conta. Algum tempo depois, ela recebeu uma multa em Curitiba, mas o carro presente na foto se diferenciava do seu devido a um adesivo colado em um dos vidros.

?Era um carro idêntico ao meu. Um pálio, de cor preta e com a mesma placa, mas com um adesivo que eu nunca tinha visto antes.? Fabiane procurou a Furtos e Roubos e, posteriormente, sua irmã se deparou com o carro clonado na rua. ?Minha irmã me ligou e disse que havia visto meu carro. Quando eu falei que o veículo estava na garagem, ela passou a perseguir o outro carro, ligou para a polícia e a adulteração foi descoberta. O veículo com a placa adulterada havia sido recém-comprado por um casal que não sabia de nada e também foi enganado.?