Foto: Anderson Tozato/O Estado

Revoltados com a Prefeitura, que sequer estudou alternativas, como a eliminação do canteiro central, comerciantes fecharam a Visconde.

Pelo segundo dia consecutivo, os comerciantes fecharam a Avenida Visconde de Guarapuava, no centro de Curitiba. Ontem, eles cerraram as portas dos estabelecimentos, colocaram fogo em pneus e bloquearam durante uma hora o tráfego nas duas pistas, deixando o trânsito lento. Eles querem que a Prefeitura volte atrás na decisão de acabar com as áreas de estacionamento na rua. Afirmam que o prejuízo será grande para os lojistas.

O protesto começou às 17h e só terminou depois que o administrador da regional da Prefeitura do Centro, Omar Akel, foi até o local e convidou os comerciantes para um encontro na Rua da Cidadania da Matriz. Disse que ia ouvir as reivindicações e repassá-las para a Urbs. Somente hoje será realizada uma reunião onde os comerciantes terão a resposta da Prefeitura.

Os comerciantes fecharam a avenida na esquina com a Travessa da Lapa, impedindo a passagem até dos ônibus biarticulados. Só com a intervenção da Polícia Militar eles puderam seguir viagem. A revolta é grande. Os comerciantes reclamam que não foram consultados e, de uma hora para outra, ficaram sabendo que não haverá mais estacionamento na rua. Eduardo Gil, dono de uma loja de informática, diz que ninguém vai pagar um estacionamento por cinco minutos para entrar na loja. Além disso, ele tem serviço de motoboy e não haverá lugar para deixar a moto.

A comerciante Rosilei Silva também estava indignada. ?Vai virar uma via rápida e ninguém vai nem prestar atenção no comércio local?, protesta. Rosalra de Camargo diz que existem outras alternativas para a rua, como a retirada do canteiro central. ?Mas é mais barato apenas pintar a rua?, comenta.

Outro comerciante foi além. Dilson Moraes afirma que a Prefeitura vai transformar a avenida numa via rápida para colocar radares, aumentando a arrecadação. Chegou até a fazer os cálculos. ?A multa mais leve custa R$ 127. Seria necessária a venda de 169 cartões do EstaR para compensar. Eles querem dinheiro?, critica.

Enquanto o administrador da regional da Prefeitura do centro buscava uma conciliação, a Urbs informou ontem que não vai recuar. Se não chover, as obras para mudar a sinalização começam amanhã. Segundo o órgão, foi feito um estudo técnico e a retirada das faixas de estacionamento foi a melhor solução encontrada para fazer o tráfego fluir melhor. A Urbs esclarece que não existe intenção de instalar radares na via. A velocidade é controlada pela sincronia dos semáforos, chamada de ?onda verde?. Para que o motorista consiga trafegar sem ficar retido nos sinaleiros, precisa se deslocar a 50 quilômetros por hora. A Prefeitura também não estuda a possibilidade de reduzir os canteiros centrais para alargar a via.

Os horários de proibição de estacionamento são: das 7h às 20h, de segunda a sexta-feira, e das 7h às 14h aos sábados. A medida vale desde a trincheira da Rua Ubaldino do Amaral, na divisa do Alto da XV com o Centro, até a Ângelo Sampaio, no Batel. A previsão é que as obras para mudar a sinalização fiquem prontas logo após o Carnaval. Se não forem ouvidos, os comerciantes prometem fechar a rua quantas vezes forem necessárias.