Aliocha Maurício / GPP

Maria Lúcia diz que o problema
nem sempre é reconhecível.

Compreender crianças superdotadas é mais que uma necessidade familiar, social ou educacional, mas um desafio que instiga pais e profissionais à busca de uma compreensão fascinante. É o que acredita a professora Maria Lúcia Sabatella, especialista no assunto e fundadora do Instituto para Otimização da Aprendizagem (Inodap), em Curitiba, que atende inclusive crianças de baixa renda. Ela afirma que, no Brasil, existe uma média de um a dois superdotados em cada sala de aula e que, através de levantamento que realizou junto ao Colégio Objetivo de São Paulo, cerca de 12% das crianças na pré-escola em todo o País são assim diagnosticadas.

O problema é que nem sempre isso é reconhecível, ou compreensível, de acordo com a profissional. ?Os pais demoram a perceber. Muitas vezes perdem a paciência ou não sabem como lidar. E os professores, na maior parte dos casos, não têm preparação na graduação para lidar com esse tipo de caso, assim como psicólogos?, avalia. Segundo a especialista, porém, os superdotados apresentam características bastante particulares. ?São indicativos que dizem respeito à memória, ao vocabulário, nível de pensamento, humor e sensibilidade.?

Quanto ao nível de pensamento, esse se evidencia como muito avançado no sentido da não-generalização de situações até mesmo simples. ?Me lembro de uma criança com quem não podia me referir aos dinossauros como ?dinossauros?, simplesmente, mas através da espécie de cada um. O conceito em si é, para eles, muito insignificante, eles vão além?, revela, lembrando de outra abordagem para o pensamento avançado dos superdotados: o entendimento literal das palavras e o armazenamento de promessas e ameaças pelo resto da vida.

Escola

Uma das atuações do instituto é, além da família, abordar a escola. ?Muitas vezes são rotulados como maus alunos, porque perguntam muito. Estão analisando as questões mais a fundo, onde crianças da mesma idade não conseguem chegar.? E por verem banalidade em atividades e obrigações que são desafios para o resto da turma, acabam sendo caracterizados como crianças com déficit de atenção. ?Uma série de exercícios matemáticos para um superdotado resolver é excessivamente entediante, já que ele enxerga aquilo não como um treinamento – porque para ele é fácil -, mas como uma repetição?, afirma a educadora.

No tocante à aceleração escolar – ou o adiantamento das séries -, Maria Lúcia revela que a maior preocupação da escola é no aspecto social. ?Mas hoje muitas escolas têm dado abertura para isso, já que vêm entendendo por meio do nosso trabalho que o superdotado não queima etapas, apenas passa mais rapidamente por elas.?