Foto: Anderson Tozato/O Estado

 Saadi: "Apenas cedemos o espaço à Corregedoria da Polícia Civil".

A superintendência da Polícia Federal em Curitiba comprovou o envolvimento dos empresários e hackers presos através das operações Pontocom e Pontocom.pr – esta em conjunto com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) – no crime de fraude a bancos pela internet. Dois delegados e quatro investigadores já foram denunciados pelo Ministério Público Estadual à Justiça na mesma operação, acusados de formação de quadrilha, extorsão e concussão. A promotoria acredita que eles teriam cobrado propina dos adolescentes para não revelar o esquema.

A Operação Pontocom, desencadeada no início do mês, colocou na cadeia uma quadrilha de adolescentes que conseguia pagar com o dinheiro dos clientes dos bancos as despesas feitas por empresários curitibanos. Nos últimos dois meses, o prejuízo às instituições financeiras foi contabilizado em R$ 4 milhões. A prisão dos hackers levou, então, à descoberta do envolvimento de policiais no caso e ao nome de dois empresários, o que desencadeou a Operação Pontocom.pr. Os delegados e investigadores podem responder a processo na Justiça, caso seja acatada denúncia do MPE de que estariam cientes do esquema e o teriam acobertado em troca de dinheiro, inclusive com perseguição e violência física contra os adolescentes.

Comprovações

Tanto os hackers como os empresários Claucio Pinheiro de Moura e Vandoir Bica Pedro estão detidos. Já os delegados Hamilton Cordeiro da Paz Júnior (7.º DP) e Roberto Fernandes (Delegacia de Matinhos), se processados, devem responder em liberdade. O superintendente da PF, Jaber Saadi, porém, prefere se ater à parte das investigações relativas à Polícia Federal: ?Nós apenas concedemos o espaço físico para que a Corregedoria da Polícia Civil fizesse identificação pessoal dos elementos. Houve alguns reconhecimentos e outros não foram confirmados?, afirma.

Já no que se refere aos outros envolvidos, o superintendente garante: ?Os rapazes presos confirmaram as investigações e os próprios empresários concordaram que estavam cometendo delitos?. Entre os crimes comprovados está o pagamento de boletos bancários gerados em compras feitas pelos empresários através dos hackers, em operações on line, com dinheiro de terceiros. ?Mas as investigações continuam. Tentaremos pegar mais hackers que estão atuando na área?, adianta Saadi.

Adolescentes e empresários podem responder à Justiça Federal por crimes de estelionato, formação de quadrilha, furto qualificado e interceptação ilegal de telemática. A pena pode somar até vinte anos de prisão.