Um fundo de vale, cenário de sujeira e contaminação por mais de 15 anos, nas mãos dos moradores do Jardim Califórnia, Mossunguê, em Curitiba, aos poucos ganha flores e árvores. A área fica na esquina entre as ruas Isabel Moscalewski e Ivete Puglielli Cunha.

Cansado de ter a casa invadida por ratos, cobras e pelo mau cheiro nos dias quentes, o porteiro Luis Justino da Silva tomou a iniciativa de roçar a barroca (como é chamado o terreno pelos moradores) e retirar o lixo. Alguns vizinhos gostaram da ideia e passaram a ajudar. “Como eu moro nos fundos da barroca, resolvi fazer a minha parte”, conta.

Através do telefone 156 da prefeitura de Curitiba, só no mês de junho foram feitos 500 pedidos de limpeza de lixo em terrenos baldios. O mesmo procedimento foi tomado por representantes da Associação de Moradores do Jardim Califórnia, entretanto, por se tratar de um fundo de vale (considerado área de preservação ambiental), uma lei federal impediu que os funcionários da prefeitura continuassem roçando a mata ciliar. Agora os próprios moradores removem o lixo e acionam a prefeitura apenas para que um caminhão encaminhe esse material a um local adequado.

Durante o trabalho de limpeza, eles encontraram de televisores a sofás e pias, em meio a pilhas de fraldas sujas e sacolas, já afundadas na terra. Em fevereiro, até explosivos foram encontrados lá. A cabeleireira Ângela Rodrigues da Silva, 32 anos, mora quase dentro do terreno e sofre com o excesso de lixo e com o esgoto a céu aberto que atravessa a barroca. “Os moradores devem jogar todas essas coisas no terreno durante a madrugada, porque quando acordamos a sujeira já está lá”, revela.

Ao invés de jogar lixo em áreas de preservação ambiental, moradores podem agendar a coleta do material através do próprio telefone 156. Os vizinhos podem colaborar denunciando quem ainda não aprendeu a lição já que, se houver flagrante, a pessoa que suja o terreno pode ser multada de acordo com a lei municipal. A denúncia pode ser encaminhada diretamente à Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

Os moradores não perdem a esperança de receber algum apoio do poder público. “Se canalizassem o esgoto, dava para fazer um bosque e até aproveitar essas nascentes de água que temos. Se não puderem fazer isso, só de olhar as flores ao invés do lixo já será melhor”, afirma Maria Aparecida da Silva, esposa de Luiz.