Anderson Tozato / GPP
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Com a decisão judicial, as horas
de estudo acabaram perdidas.

No dia 8 de abril deste mês, uma liminar da Corte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu o concurso público para preenchimento de vagas para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná. A suspensão veio após uma ação promovida por sessenta candidatos aprovados no concurso do TRE de 2002, que alegam não terem sido chamados no prazo determinado. O concurso deste ano contou com a participação de pouco mais de 50 mil candidatos, que ficaram atônitos com a decisão, mesmo que ela ainda seja provisória, já que o julgamento final da questão deve ocorrer aproximadamente dentro de dois meses.

A indignação é procedente a partir da análise dos investimentos – materiais ou não, no processo preparatório do concurso. ?Há candidatos que participaram do concurso que estão estudando há dois anos, à espera de um concurso deste porte. Ele chega e acontece esse suspense?, diz a publicitária Iara Cavassin, que trabalha no departamento de marketing do curso Aprovação. É bem verdade que a maioria que prestou o concurso freqüentou o cursinho a partir de dezembro, quando foi publicado o edital, mas mesmo essas pessoas tiveram que investir um bom capital nos estudos. Pelos dois extensivos e aulas de reforço, foram cobrados R$ 749, com desconto para ex-alunos. ?É claro que é uma quantia significativa, mas não foi só isso. Passando o dia estudando, a gente gasta com alimentação fora de casa, combustível ou transporte, abre mão do trabalho – tirando aqueles que já estão desempregados, e ainda tem a inscrição?, contabiliza o dentista Marcelo Martelli Rossilho, que está cursando Direito e se dedicando a concursos. Vale lembrar que a inscrição para o referido concurso custou R$ 70 para o cargo de analista (nível superior) e R$ 50 (nível médio).

Pior que os gastos, o candidato ressalta o desgaste emocional e as horas extras dedicadas aos estudos. ?É um cansaço psicológico, uma pressão muito grande. Abrimos mão de tudo por conta do concurso. É decepcionante imaginar que ele possa ser simplesmente cancelado?, diz.

Caso isso venha a acontecer – tudo vai depender da decisão final da Corte do TSE – os 2.042 candidatos que estudaram no Aprovação podem entrar com um recurso de ressarcimento, mesmo que seja muito difícil mensurar todas as perdas. ?Tem coisas que não dá para calcular. Mas será o mínimo que poderão fazer?.

O coro é endossado por alguns estudantes do curso Solução, que, além de receber pouco mais de mil alunos, comercializou cerca de quinhentos conjuntos de apostilas por todo o Brasil. No Solução, por 250h/aula, os candidatos gastaram R$ 310. ?Dá um sentimento de tristeza grande quando acontece algo assim, porque tem estudante que dá sangue para conseguir estudar, mas corre o risco de ver o investimento ir por terra?, disse João Viana, proprietário do Solução.

?Os candidatos que entraram com a ação até estão no direito, mas se a coisa procede, o TRE deveria ter se precavido antes?, diz Inês de Oliveira Domingues.