Lucimar do Carmo / GPP
Lucimar do Carmo / GPP

Audiência pública realizada ontem,
na Asembléia Legislativa, em
Curitiba, reuniu representantes
dos dois lados do imbróglio.

De um lado discute-se a segurança de energia para todo o País, com grande potência e baixo custo; de outro, os impactos que a construção de uma usina hidrelétrica de grande porte no Rio Tibagi pode provocar em nível social, econômico e ambiental. Foram para uma ou outra das duas vertentes que as partes interessadas penderam durante a audiência pública, realizada ontem, na Assembléia Legislativa, em Curitiba, para discutir a instalação da Hidrelétrica Mauá, entre os municípios de Telêmaco Borba e Ortigueira.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), representada pelo engenheiro Rafael Machado, reafirma que o Estado é auto-suficiente, mas defende a produção de energia e o aproveitamento da potencialidade do Paraná por questões, além de econômicas, sociais. "Há possibilidade de novas falhas de suprimento de carga para o País, então se idealizou um projeto de 17 novos empreendimentos. O que a gente quer colocar é que precisamos achar um caminho para expansão de geração de energia, pelo meio mais barato, que é o hidráulico, e que seja o menos traumático possível", afirma o engenheiro.

Ainda segundo Machado, a Usina de Mauá, no Rio Tibagi, conseguiria suprir as necessidade a um custo baixo de transmissão. "O Paraná é o Estado que mais tem mostrado potencialidade nessa atividade. É preciso que possa voltar a contribuir efetivamente", afirma. De acordo com o engenheiro, o que estaria emperrando as licitações e efetiva construção das hidrelétricas é a "demora" na liberação da licença ambiental.

Já o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Rasca Rodrigues, resiste. "Temos uma posição, por princípios, de sermos contrários à instalação de qualquer hidrelétrica. O que está em jogo é até que ponto temos que aceitar um desenvolvimento econômico em detrimento de um impacto ambiental", afirma Rasca.

Ambientalistas

O que também gera polêmica é o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima), exigência do IAP, apresentado. Segundo ambientalistas, o documento não apresenta, de fato, todos os danos que a instalação da usina pode trazer para a região. As discussões não são recentes. "Estão há dez anos discutindo o impacto ambiental, sem se falar sobre os impactos sociais e também econômicos", afirma o biólogo Tom Grando, coordenador da Liga Ambiental.

Segundo Grando, o projeto total prevê a instalação de sete usinas de grande porte no Rio Tibagi, a Mauá é a maior e mais central, por isso está sendo mais discutida. "As cerca de 200 famílias atingidas vão para a cidade e esta terá de assimilar esse contingente. Em relação à indenização, existe um milhão de pessoas no País lutando para conseguir isso", afirma. Outro problema seria com a água e as espécies da fauna e flora que seriam danificadas. "Com a água, maior patrimônio, sendo destinada apenas para um fim, os outros ficam comprometidos, entre eles a agricultura. Outra coisa é a qualidade da água, que ficará parada recebendo efluente de indústria", conclui Grando.