Moradores e comerciantes do bairro São Cristóvão, em São José dos Pinhais, receberam uma surpresa não muito agradável. A Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) convocou reunião com a comunidade para informar o início da construção da trincheira na Rua Arapongas, no cruzamento com a Avenida Comendador Franco, obra do Programa Pró-Transporte do PAC da Copa de 2014.

Para a comunidade, a notícia veio como bomba, já que a questão havia sido muito discutida em 2011, quando foi feito acordo com a Comec e a prefeitura, após protestos e abaixo-assinado de mais de duas mil assinaturas, pedindo que as obras não fossem naquele local. “A gente até sugeriu que fizessem a trincheira na Rua São José, na continuação da Almirante Alexandrino. Seria mais lógico fazer lá porque é via de ligação da BR-277 a praticamente todos os bairros do entorno”, comenta o morador Aloir Pain.

Preocupação

Na época, carta assinada pelo coordenador da Comec, Rui Hara, informou que o órgão “atenderá ao pleito da comunidade e não considerará a execução da trincheira”. Cópias da carta foram impressas em letras garrafais e estão expostas em frente à Igreja São Cristóvão e em alguns estabelecimentos comerciais da região. “Foi um susto para nós porque essa história já estava sacramentada”, comenta o padre Estanislau Talma, que está na paróquia há dois anos, desde que vieram os primeiros boatos da construção ao lado da igreja.

A principal preocupação dos moradores é com as crianças. “São duas escolas aqui. A Escola Municipal Padre Pedro Fuss e a São Cristóvão. Muitas crianças passam por aqui diariamente, principalmente as que vêm para a catequese. Isso afetará mais de duas mil crianças”, comenta o empresário e morador da região Sebastião Ferreira.

Prefeitura tem argumentos

A Secretaria Municipal de Urbanismo informou que a construção da trincheira não está em execução, pois aguarda decisão quanto à continuidade por parte da Comec. O que está em andamento são as outras obras que contemplam o projeto Corredor Viário Avenida das Torres.

A prefeitura alega que o objetivo da proposta da trincheira é dar maior fluidez à circulação, mantendo a via onde as escolas estão instaladas para fluxo local e suas transversais como coletoras do fluxo da Avenida das Torres e do bairro Afonso Pena. A ideia já foi mostrada em reunião com moradores.

Em relação à segurança, o município argumenta que haverá elevações sinalizadas que dão preferência ao pedestre, “garantindo meio mais fácil de locomoção e a interação com as áreas de lazer, como o Parque Linear do Rio Ressaca e o Parque São José”.