Trata-se de mais um caso de prédio público abandonado ou ícone da segurança, ou melhor, a falta dela na cidade? Para quem trabalha na região da Praça João Cândido, onde ficam as Arcadas de São Francisco de Paula, no Largo da Ordem, esse é um dos questionamentos rotineiros, porque a última função atribuída ao mirante Belvedere é datada de 2009 quando, após a restauração, o espaço passou a abrigar o Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária (BPEC).

De acordo com os comerciantes locais, como posto policial esse endereço suscita dúvidas. “Depois de inaugurado, o batalhão ficou aqui até mudar de governo. Não dá para dizer que está abandonado, porque policiais militares visitam o local, olham para o horizonte visto do mirante e não fazem nada para conter a baderna do Largo”, descreve o proprietário do antiquário IMS Antiguidades, Irapuam de Melo Sá.

Vandalismo

Apesar da localização comercial privilegiada, o proprietário do antiquário e outros comerciantes da região se ressentem da insegurança e dos prejuízos decorrentes do consumo de drogas e da violência. Nas Arcadas, as pichações só não aparecem porque semanalmente a Urbs, responsável pela conservação, faz pinturas.

Já o Belvedere ostenta todo o vandalismo de certa forma liberado na região. “Tem câmera nas Arcadas que poderia identificar os autores, mas assim como as drogas, nem a Guarda Municipal, nem a polícia se interessam em fazer algo de efetivo”, reclama um comerciante que não quis ser identificado. “A retirada do posto da Polícia Militar daqui é a demonstração clara da completa falta de interesse em resolver o problema na região. Enquanto isso, o governo manda uma unidade policial para o Uberaba”, compara.

Argumentos

A Polícia Militar, informa que o mirante Belvedere, que abrigou o BPEC, foi desocupado e devolvido para o governo estadual, que, por sua vez, alega não ter recebido a documentação da PM informando a devolução.