O governador Roberto Requião recebeu ontem a visita do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, que veio em busca de uma parceria com o governo do Estado para projetos sociais do movimento.

O coordenador do movimento afirmou que é contra políticas assistencialistas. “Existem entidades aqui do Paraná que estão dispostas a fazer um trabalho de conscientização e gostaríamos do apoio financeiro do governo e das empresas privadas para a execução”, declarou Stédile. O programa, de acordo com o dirigente do MST, será desenvolvido em todas as periferias das grandes cidades brasileiras. No Paraná, a meta é envolver a população de baixa renda de Curitiba, Maringá, Cascavel, Londrina e Foz do Iguaçu.

A primeira etapa do trabalho será a identificação das lideranças juvenis que existem nos bairros, que deverão receber uma bolsa de estudos e cursos de capacitação, e em contrapartida ficarão responsáveis pelo trabalho político de conscientização com a juventude e o cadastramento das famílias da sua comunidade. O projeto terá um custo de R$ 4 milhões por capital e vai preparar cerca de mil militantes em cada estado.

Requião afirmou que vai analisar o projeto apresentado e indicou o assessor especial de governo, Daniel Godoy, para dar toda a assistência jurídica necessária para a execução.

João Stédile também aproveitou a visita para declarar o apoio de todos os movimentos sociais brasileiros para as atitudes “corajosas e exemplares” que o governo do Paraná está tomando. “Estamos em comum acordo com a decisão de acabar com os transgênicos, com o pedágio, e com os bingos. A nossa sociedade está precisando de outros valores, de trabalho e não de jogatinas”, concluiu Stédile.

Participaram do encontro, além do governador, representantes da rede evangélica, arquidioceses, Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores (Cepat) e do Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria).

TJ mantém condenação

Por unanimidade de votos, a 2.ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça negou apelação do Estado do Paraná que pretendia anular decisão que o condenou ao pagamento de indenização a Isamu e Chissaco Matida, proprietários de terras invadidas pelo MST no município de Ribeirão do Pinhal. A condenação abrange 2.120 cabeças de gado mais o cálculo dos lucros cessantes a partir da data da invasão -18 de outubro de 1989 – além do dano moral no valor de R$ 100 mil.

Para o relator, desembargador Sidney Mora, o reiterado descumprimento do mandado de reintegração de posse foi o fator determinante dos danos causados ao rebanho da família Matida. Em sua defesa, o Estado alega que o gado foi abatido ou comercializado pelos invasores e por autoridades municipais, citadas nominalmente, para açougues de municípios vizinhos, sendo esses os responsáveis pela dilapidação do patrimônio e quem deveria arcar com os custos da condenação. O relator rebateu esse argumento afirmando que “terceiros só puderam praticar esses atos em virtude da omissão do Estado”.