Na maternidade, os bebês foram vestidos a caráter.

Nem mesmo o horário do primeiro jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo, às 6h, tirou o ânimo dos torcedores. No Hotel Parthenon Flat, em Curitiba, um telão foi instalado para que os hóspedes pudessem acompanhar o jogo. No cardápio do café da manhã, além de produtos tradicionais, foram incluídas algumas iguarias da culinária turca, como canjica com damasco e esfiha de azeitona.

Mas quem levantou cedo para assistir o jogo confessa que nem notou a inclusão desses produtos. “A fome era por gols”, brinca um hóspede, que acompanhava junto com outras 50 pessoas o desempenho da seleção. Entre o grupo estavam muitos gaúchos, que não poupavam críticas ao conterrâneo, Felipe Scolari, técnico do Brasil. O representante comercial Arthur Gibicoski, gaúcho de Santa Maria, disse que Scolari não poderia ter colocado Luizão, pois ele tem pouca condição física, e o Felipão não poderia ter tirado o Ronaldo. Quando veio o segundo gol, de pênalti batido por Rivaldo, a torcida comemorou, gritando o nome do juiz que apitou a partida, Young Joo Kim, da Coréia do Sul.

E muito longe de ouvir as indicações dos torcedores, o Brasil conseguiu ganhar o jogo, mas passando longe da expectativa do grupo, cuja maioria tinha apostado em um resultado de 7×1. “Não foi o resultado esperado, mas foi um bom jogo”, disse o representante Cláudio Prusse. O estudante Carlos Pimpão foi categórico em afirmar que o resultado favorável do jogo dependeu do juiz. “Se não fosse ele o Brasil não ganhava”, disse. Pimpão também criticou as substituições dos jogadores e só concordou com a entrada de Denílson na partida.

Na maternidade

Mesmo sem ter idade e até mesmo condições físicas para acompanhar os jogos da seleção brasileira, dezoito bebês da unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal da Maternidade Nossa Senhora do Rosário mostraram que são patriotas. Todos estavam vestidos com roupas e acessórios nas cores verde e amarelo. Os colchões das incubadoras também estavam revestidos com as cores do Brasil. O mascote do grupo é João Marcos, que tem apenas 955 gramas.

A pediatra Lisandra Agostini comenta que os bebês ficaram mais calmos depois de vestir as roupas em homenagem ao Brasil e, depois do resultado do jogo, dormiram tranqüilos.

 

Posto fechado na hora do jogo

Quem procurou os serviços dos postos de saúde de Curitiba, ontem, no início da manhã, se decepcionou. Vários deles, devido ao jogo do Brasil contra a Turquia, abriram apenas às 9h. O fato fez com que algumas filas se formassem, causando a indignação de muitos usuários.

Revoltada, a vendedora Modele Marcos conta que procurou o posto de Campina do Siqueira (zona oeste) às 7h30. Ela não sabia que o estabelecimento abriria mais tarde. “Preciso fazer um exame com urgência e estou bastante insatisfeita. Se soubesse que o local abriria mais tarde, não teria levantado da cama tão cedo. Acho um absurdo um serviço de saúde não funcionar devido a um jogo de futebol”, disse

O vigilante Vicente Raimundo Lima tinha uma consulta marcada às 7h30. Chegou ao posto um pouco antes e descobriu que ele estava fechado. “Agora quero saber o que vai acontecer com a minha consul-ta. Acho que o mínimo que os funcionários do posto podiam ter feito era me telefonar e avisar que o local só abriria às 9h”, disse Raimundo, que apontou o fato como sendo desumano.

A mesma opinião tem o auxiliar de produção Wilson Taborda, que também ficou na fila à espera de atendimento. Junto com a dona-de-casa Zélia Hauer, que esperava consulta para as filhas, de 9 e 4 anos de idade, ele se queixava. “Tudo bem que as pessoas sejam patriotas e queiram torcer para o Brasil na Copa do Mundo, mas é um absurdo deixar cidadãos de bem, que precisam de atendimento médico, na fila esperando por causa disso. Podiam pelo menos ter avisado que os postos não abririam cedo. O que está acontecendo é um descaso com a saúde da população e um exemplo de não-patriotismo.”

Já Zélia, dizia que se alguém passasse mal na fila iria acabar morrendo por falta de atendimento. Acompanhada das filhas, ela se mostrava bastante chateada. “Tirei as crianças cedo da cama para nada. Acho que poderiam ter deixado uma televisão ligada dentro dos postos para que os funcionários, e mesmo os pacientes, pudessem acompanhar a partida de futebol. Porém, iniciar atendimento de saúde mais tarde por causa da Copa é um absurdo. Um tremendo desrespeito a quem está doente e espera atendimento”, declarou.

Prefeitura

Segundo a Prefeitura de Curitiba, as repartições públicas funcionarão em horário especial em dias de jogos do Brasil. O expediente será das 12h às 19h. Porém creches, escolas e unidades de saúde, considerados setores essenciais para a cidade, começam a atender as 9h, como ocorreu ontem. Sendo assim, nos próximos jogos, os postos devem voltar a abrir mais tarde. (Cintia Végas)