A terceira manifestação do ano contra a corrupção e o governo da presidente Dilma Rousseff levou 60 mil pessoas a protestar em Curitiba, segundo o levantamento da Polícia Militar.

O agravamento da crise financeira desde que o ano começou e as revelações da Operação Lava Jato deram o tom do discurso de quem foi para a rua e das faixas, várias com pedidos de fora PT ou Dilma, e frases relacionadas como, Panela do PT que foi criada por um grupo que também carregava uma panela cheia de cédulas de dinheiro em uma referência a inflação no país.

Alguns dos grupos que responderam pela organização da chamada Mega Manifestação foram os movimentos Brasil Livre, Vem Pra Rua e Revoltados On Line. Esse último, em alguns posts chegou a solicitar aos participantes que contribuíssem no pagamento dos carros de som contratados.

Em Curitiba, Brasil Livre, Curitiba Contra Corrupção e Somos do Bem trouxeram carros de som. O grupo Somos do Bem ainda abriu o microfone para que cada um pudesse manifestar o motivo de estar na mobilização.

As pessoas começaram a se concentrar na Praça Santos Andrade perto do meio-dia, duas horas antes do programado na rede social. Os manifestantes percorreram a Avenida Marechal Deodoro e encerraram na Boca Maldita com vaias puxadas pelo movimento Brasil Livre contra Lula e o PT.

Juiz com tratamento de herói nacional

Os manifestantes também estamparam faixas com pedidos de mais autonomia dos estados da federação e de transparência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O administrador de empresas Marcelo Benito Ribeiro, 41 anos, disse que é favorável a saída da presidente.

Juiz foi lembrado pelos manifestantes. Foto: Magaléa Mazziotti.

“Sei que a corrupção não tem lado, nem partido, mas se ela (Dilma Rousseff) saísse essa sensação de mudança seria positiva para a economia e a política do país. O dinheiro dos nossos impostos deixaria de financiar ditaduras e o socialismo em outros países”, acredita.

O administrador também fez elogios ao trabalho do juiz Sérgio Moro. “Ele tenta uma limpa que, se tudo der certo, vai se refletir na forma de agir dos políticos daqui para frente”.

A atuação de Moro serviu de inspiração para que um grupo de pessoas reproduzisse uma imagem do juiz em tamanho real para carregar na manifestação. Aos poucos a reprodução virou parada obrigatória para selfies e fotos posadas de quem queria levar um registro do domingo de protesto.

Acorda Brasil

A manifestação também serviu para a coleta de assinaturas para o projeto de iniciativa do Ministério Publico Federal sobre as 10 medidas contra a corrupção. O objetivo é conseguir transformar em um projeto de lei de iniciativa popular.

Pessoas como o Procurador do Estado, Gustavo Henrique Ramos Fadda, 32 anos, imprimiram a lista da página do MP para depois entregar ao órgão. “Precisamos combater a corrupção e a incompetência”, defendeu.

O movimento Acorda Brasil também teve a mesma atitude em grupo e aproveitou as escadarias do prédio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), para arrematar novas assinaturas.

Apoiadora do Acorda Brasil, a corretora de imóveis Vera Meyer também defendeu a saída da presidente. “O PT está enterrando o país e a Lava Jato é só a ponta do iceberg”.

Manifestantes contra a manifestação

O único registro de confusão, segundo a PM, foi um princípio de briga envolvendo dois homens que vestiam camisetas vermelhas e estavam manifestando contra o protesto causando confusão. Os policiais separam a briga e os rapazes foram liberados após receberem atendimento do Siate por conta de lesões leves.

Retrospecto

Curitiba e pelo menos outros 17 municípios paranaenses dentre 234 cidades do país tiveram o domingo marcado por manifestações. O primeiro protesto, realizado em 15 de março, mobilizou 80 mil manifestantes para a rua da capital paranaense, já o segundo, em 12 de abril, trouxe metade desse contingente.

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