Até as 18h de ontem era o prazo que 483 alunos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) tinham para resolver os problemas de registros. Os que tinham documentação pendente tinham de verificar a situação e os cotistas, de escolas públicas e negros, tinham de comprovar o direito às vagas. O processo, principalmente referente às cotas, é bastante delicado.

Alguns dos aprovados no vestibular da UFPR que optaram pelas cotas para estudantes do ensino público, na hora da inscrição, se confundiram quanto às escolas gratuitas – de igrejas, bairros. "Como não pagavam o estudo, entendiam que tinham direito à vaga e não é isso que prevê o edital. Confundiram público com gratuito e ficaram de fora. Foi muito triste, gostaríamos que todos tivessem entrado", afirma a diretora do núcleo de acompanhamento acadêmico da UFPR, Rosana de Albuquerque Sá Brito. Desses alunos, 55 perderam a vaga. Mas a UFPR garantiu que esses casos serão estudados.

O principal problema que enfrentou a maioria dos 122 cotistas afro-descendentes, com registro pendente, também foi por uma confusão. Eles confundiram genótipo com fenótipo, como explica a professora: "Alguns acham que por terem ascendentes negros também o são. Na hora da banca de comprovação da autodeclaração, algum integrante não o considerou por não apresentar características físicas ou traços de negro".

Esses, que se autodeclararam afro-descendentes e não foram aprovados pela banca, puderam ainda ontem recorrer e marcar uma segunda entrevista. Porém, alguns deixaram de fazer por perceber não ter traços da raça. Segundo Rosa Brito, as entrevistas começam hoje e vão até a próxima terça.

Veredicto

A comissão que dará a palavra final é nomeada pelo reitor da UFPR, mas na sua composição, além de membros da universidade, também estão representantes da sociedade. "O objetivo das cotas era atender as pessoas que tenham aparência e cor que possa levar à discriminação. Na declaração, as pessoas disseram ser vistas pela sociedade como negros, diferentes. Então a sociedade vai dizer, ajudando nesse julgamento", concluiu Rosa. (Nájia Furlan, especial para O Estado)