Cerca de três mil crianças já passaram
pelo Núcleo de Educação Alimentar.

A obesidade infantil está virando caso de saúde pública. A afirmação é da nutricionista Ângela Maria Freitas, diretora do Núcleo de Educação Alimentar da Criança Turma da Marianinha, inaugurado em abril.

Lá as crianças passam quatro horas entre hortas e pomares, aulas de culinária, apresentações teatrais, contadores de histórias e para completar fazem refeição saudável. Deste modo aprendem a importância de se alimentar bem. O núcleo é pioneiro no Brasil e fica em São José dos Pinhais.

Apesar de ter apenas alguns meses de funcionamento, três mil crianças já passaram pelo lugar. Quando elas chegam são recebidas com música ao vivo e um delicioso café da manhã. “É servido pão caseiro, geleia, requeijão, sucos de frutas e uma barra de cereal. Tudo saudével”, explica a diretora.

Depois eles são divididos em grupos e cada um segue um monitor. Eles passeiam por canteiros de verduras, legumes e pomares. O monitor se encarrega de falar sobre cada planta ressaltando os valores nutricionais dos alimentos para o corpo. Em uma estufa podem acompanhar ainda a fase de desenvolvimento de várias plantas e flores.

Depois participam de uma aula de artes tendo a alimentação como tema. Também aprendem a fazer biscoitos. “A monitora explica o que contém cada ingrediente e o que ele faz no organismo”, conta Ângela. Os alunos levam para casa os biscoitos que ele mesmo prepararam. Para completar assistem a uma peça teatral e ouvem uma contadora de histórias. “Adaptamos os contos infantis. Na história do lobo mau, por exemplo, ele não consegue derrubar a casa dos porquinhos porque não se alimenta direito”, exemplifica Ângela.

Depois de todas estas atividades chega a hora do almoço. No cardápio feijão, arroz, carne moída, batata assada, tomate e alguma verdura. Depois de toda esta maratona, segundo Ângela, todo mundo come de tudo. “A gente escuta as crianças falando que não comiam alface, tomate, mas acabam comendo e até repetindo”, garante a diretora.

Exemplo de casa

O núcleo é visitado por escolas, cada criança precisa pagar R$ 17,00. “Sei que esta não é a realidade da escola pública. Mas podemos atendê-los através de parcerias com a Prefeitura”, comenta Ângela. Ela garante que o trabalho pode mudar o hábito alimentar das crianças e completa: “A alimentação saudável não é cara, é barata.” Segundo ela, existem crianças obesas em todas as classes sociais. É comum as crianças mais pobres levarem vez ou outra R$ 1 para a escola. “Elas se entopem de salgadinhos. Com aquele dinheiro poderiam comprar algumas frutas. Falta critérios para escolher”, explica. Ela ressalta que o problema está com os pais que não sabem se alimentar bem, por isso o núcleo abre a porta aos sábados para pais e filhos.

Lauren Sangermano Caruso, de 9 anos, diz que aprendeu a lição. “Precisamos comer frutas, verduras e legumes para não ficar desnutridos”, diz. A mãe dela, Rosana Sangermano Caruso afirma que agora a filha aceita melhor os alimentos. Felipe Lemler de Oliveira, 8, também conta o que aprendeu.”Não comer muito salgadinho, doces e refrigerante”. O núcleo foi criado pela empresa de alimentos Coan Pampas Alimentação. Mais informações pelo telefone (41) 0800-6452030.