A falta de calçadas e de um local limpo e seguro para as crianças brincarem ou se locomoverem em direção à escola está deixando de cabelo em pé muitos moradores do Sítio Cercado. O problema acontece principalmente na Rua Lauro Gentio Tavares, caminho de boa parte dos alunos do Colégio Benedicto João Cordeiro e da Escola Novo Eden. Ali, a garotada tem que dividir o espaço com os automóveis e com muito lixo jogado à beira de uma valeta, com esgoto correndo a céu aberto.

Todos os dias, nos horários de entrada e saída das escolas, é grande o risco de um grave acidente. Como não há calçamento na maior parte da via, a pista fica repleta de crianças e adolescentes. A situação requer atenção redobrada dos motoristas que passam pelo local, inclusive na condução de vans e ônibus escolares. Na beira da pista, há somente um matagal, com muito lixo e entulho.

Moradora do bairro há cerca de 20 anos, a aposentada Elide Aschidamini enfrenta o mesmo drama todos os dias. Os Caçadores de Notícias encontraram ela passeando com o neto, em um carrinho de bebê, pelo meio da rua. “Aqui é muito movimentado, principalmente nos horários de início e fim das aulas. É muito ruim e perigoso de andar, mas não tem outro caminho”, afirma.

Marco Andre Lima
Sem calçadas, risco de acidente grave é grande nos horários de entrada e saída das escolas.

Mas o que mais incomoda dona Elide é a sujeira que toma conta do local. “Essa valeta tem um cheiro horrível. Muitas casas despejam o esgoto aqui sem nenhum tratamento. O mau cheiro é muito forte e fica cheio de ratos. Eu tento cuidar e quando vejo alguém jogando lixo, reclamo bastante. Mas o pessoal vêm à noite, um povo louco, que joga entulho, televisão, sofá… Tem que canalizar esse rio, porque a gente paga IPTU caro e a prefeitura tem que cuidar”, reclama.

A rua e o terreno à beira da valeta acaba servindo também como local de lazer da criançada da região. A Tribuna encontrou um grupo brincando no asfalto, com uma pipa feita de lixo. Uma grande ratazana morta também chamava a atenção dos pequenos. Segundo eles, aquele é o único lugar onde eles podem brincar perto de casa.

Marco Andre Lima
Elza: bem melhor queaquele lixo todo.

Contraste

A situação é bem melhor próximo ao cruzamento da Lauro Gentio Tavares com a Rua São José dos Pinhais. Ali, o mato foi substituído por uma horta comunitária, administrada pela prefeitura e cultivada pelos moradores locais. “Aqui eu planto alface, chicória, couve, agrião, rúcula… Tudo para consumo próprio. Fica bem mais bonito, mais limpinho. Bem melhor que aquele lixo todo”, afirma dona Elza Ferreira Lamarques, que cuida de parte da plantação.

Sem planejamento

Segundo o comerciante Sandro David Gagno, a falta de sinalização e cruzamentos sem visibilidade causam acidentes frequentes na região. “O planejamento urbano passou longe do Sítio Cercado. Na semana passada vi um acidente em uma esquina onde não há nenhuma visibilidade. Mas o que mais preocupa são as crianças, já que nos ho,rários de picos a rua que passa em frente às escolas vira um caos”, diz Sandro, que é leitor da Tribuna e procurou os Caçadores para denunciar a situação. A prefeitura de Curitiba prometeu enviar hoje ao local uma equipe da Administração Regional do Bairro Novo para verificar a questão da falta de calçadas e de limpeza.