Foto: Anderson Tozato

Sandra, Lucas e Mateus: brincadeiras e integração.

Na vida de uma criança, brincar é tão importante quanto estudar. É através da brincadeira que meninos e meninas atribuem sentido ao mundo, adquirem novos conhecimentos, têm a fantasia estimulada e interagem com outras pessoas e com o ambiente em que vivem. Porém, segundo um estudo realizado pelo instituto Ipsos e por diversas entidades ligadas à infância, as crianças deste início de século XXI estão tendo pouco tempo para realmente serem crianças.

Entre os meses de março e abril do ano passado, foram realizadas entrevistas com 1.014 pais de estudantes entre 6 e 12 anos de idade – amostra que representa 31,5 milhões de pais e 24,3 milhões de filhos – em 77 cidades brasileiras. A conclusão é de que as crianças brasileiras, independente da classe social, brincam, em média, cinco horas e meia por dia. Esta quantidade é considerada insuficiente por especialistas. ?Não existe um número de horas ideal, mas considerando-se que o dia tem 24 horas, cinco horas e meia é muito pouco. Além disso, foi verificado que, na maioria das vezes, as crianças brincam sempre com a mesma brincadeira, sozinhas e mais na escola do que em casa. Pouco brincam com os pais. Dos adultos entrevistados, apenas 14% afirmaram que brincar com os filhos é uma atividade que lhes dá prazer?, diz a professora da área de educação infantil e coordenadora do Núcleo de Cultura, Estudos e Pesquisa do Brincar da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), Maria Ângela Barbato Carneiro, que fez a análise dos dados coletados na pesquisa.

Linguagem

O brincar também influencia no desenvolvimento da linguagem. Prova disso é que a fonoaudióloga Betina Moreschi Antônio, que é mãe de duas crianças, de 6 e 11 anos, procura atender seus pacientes e corrigir problemas de linguagem sem deixar de lado os aspectos lúdicos das atividades desenvolvidas. ?Através de jogos e outras brincadeiras, as crianças acabam se soltando mais, aumentando o vocabulário, articulando melhor as palavras e aprendendo conteúdos. Brincar incentiva o desenvolvimento da linguagem?, explica.

Pais

Cientes dos benefícios das brincadeiras, alguns pais estão mudando os hábitos de seus filhos. A empresária Sandra Dalcuchi, que é mãe de uma menina de 10 anos e de um menino de 7, é um exemplo. Há quase um ano, ela controla o tempo que os garotos gastam em frente à televisão. ?Quando comecei a fazer isso, eles reclamaram bastante durante a primeira semana. Depois, encontraram outros interesses, passando a brincar e a ler mais. Nas últimas férias, liberei a TV, mas me surpreendi com o fato de eles não passarem muito tempo em frente ao aparelho. Notei que eles perderam o hábito?, conta.

A dona-de-casa Vanessa Maria Herrmann, mãe dos gêmeos Lucas e Mateus, de 7 anos, faz o mesmo, mas já há bastante tempo. Ela revela que, ao contrário de muitas crianças, as suas têm bastante tempo para andar de bicicleta, jogar bola, subir em muro, pular corda e correr no quintal. ?Enfatizo bastante a brincadeira e, muitas vezes, brinco junto com eles. Adoro interagir com meus filhos e sempre reservo tempo para isso.?