Mais de 600 crianças realizaram hoje uma caminhada em Santiago, Chile, para enviar uma mensagem de proteção às espécies ameaçadas de plantas e animais aos representantes de governos reunidos na 12.ª Conferência das Partes da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites).

Jovens e crianças entre 10 a 17 anos realizaram uma marcha simbólica em uma das principais ruas de Santiago até o Centro de Convenções Diego Portales, onde as delegações de 160 países estão reunidas para discutir o comércio internacional de flora e fauna selvagem.

Os participantes da marcha se encontraram com o atual presidente da Cites, Sergio Bittar, do Chile, e o chefe da delegação chilena, Jaime Campos, na entrada do prédio e expressaram suas preocupações:

?Nós acreditamos que o mundo pertence a todos os seres vivos, e não apenas àqueles que têm dinheiro. Nós queremos que as baleias, os elefantes e grandes árvores de mogno sejam protegidos dos abusos cometidos pelos seres humanos?, diz a declaração escrita pelas crianças.

Grandes animais infláveis representando várias espécies ameaçadas ? como o elefante, a baleia, a onça e um cervo da região andina chilena ? acompanharam a marcha das crianças. Uma faixa com a mensagem: ?Não vendam o planeta? também foi estendida. A faixa de 400 metros foi feita com pequenas bandeiras produzidas por crianças da França, Espanha, Alemanha, Suíça, Luxemburgo, Holanda, Reino Unido e várias regiões do Chile. Ativistas do Greenpeace e voluntários também se juntaram à marcha, que tinha, ao fundo, sons dos oceanos e das florestas.

Em abril, centenas de crianças de 17 países expressaram suas preocupações sobre o rápido desaparecimento das florestas remanescentes no planeta durante a Convenção da Diversidade Biológica (CDB), realizada em Haia, na Holanda.

?É tempo dos governos perceberem que as crianças são as herdeiras do planeta e também representam seu futuro?, disse Tim Birch, do Greenpeace, presente à reunião da Cites. ?Devemos fazer nossa parte para garantir que essas crianças tenham um mundo sem nenhuma espécie a menos de planta ou animal?.

A Cites discutirá mais de 50 propostas para aumentar ou diminuir o status de proteção de um amplo grupo de espécies. Em muitos casos, isso significará decidir entre colocar uma espécie em particular em risco por ganhos econômicos de curto prazo ou proteger sua sobrevivência de longo prazo.

O Greenpeace está apoiando várias iniciativas na Cites, em particular as propostas de proteção ao mogno, ao ?bacalhau de profundidade? (toothfish) e tubarões. Desde o último domingo (3/11), ativistas do Greenpeace estão acampados em frente a uma árvore de mogno na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF) para apoiar a inclusão da espécie no Anexo II da Convenção.