Chuniti Kawamura / O Estado do Paraná
Lixo e esgoto preocupam crianças de Colombo.

Conscientizar os moradores a recolher o lixo e lutar pela limpeza do rio que faz parte do ambiente onde vivem. Esse foi o objetivo de cerca de 40 crianças do projeto Olha Aqui, na Vila Zumbi dos Palmares, em Colombo. Eles realizaram ontem uma passeata pelas ruas do bairro pedindo a limpeza do Rio Palmital, que está altamente poluído com lixo e esgoto. A sujeira traz doenças e causa constantes enchentes, prejudicando a população.

A idéia da passeata surgiu das próprias crianças que, devido ao projeto, visitaram o Assentamento Contestado, na Lapa, e verificaram que lá os rios são limpos, se tornando locais de lazer. “Durante a visita, eles começaram a questionar por que o rio do local onde eles moram não era daquele jeito”, conta Adriana Cristina de Araújo, psicóloga e professora da oficina de cidadania do projeto. A partir daí, as crianças produziram fotos do rio, cartazes e bonecos que foram utilizados na manifestação.

Os meninos e meninas também quiseram falar com os moradores da Vila Zumbi sobre as doenças que a água suja pode trazer. Na semana passada, os pequenos participantes entregaram panfletos sobre o assunto e convidaram a população a integrar a passeata. “Não adianta a gente querer limpar e os outros irem lá e sujarem. Muitas doenças podem ser evitadas com a limpeza do rio”, afirma Camile de Oliveira Binde, de 12 anos.

Segundo a Vigilância Sanitária de Colombo, a região é uma das áreas do município com o maior número de casos de leptospirose e hepatite A, contraídas por meio da água contaminada. Os mais afetados são crianças na idade escolar.

Outra reivindicação dos pequenos moradores é a derrubada de um muro nos fundos da vila, que impede a passagem dos caminhões coletores de lixo. Assim, muitos moradores não têm outra alternativa a não ser deixar os resíduos espalhados pelas ruas ou jogá-los nos rios.

Projeto

O projeto Olha Aqui surgiu em agosto de 2003, quando ganhou um concurso promovido pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que fornece todo o investimento para a aplicação do trabalho. A intenção dos voluntários é levar cada criança a uma reflexão crítica e proporcionar conhecimento de seus deveres e direitos como cidadão. Isso acontece por meio de oficinas de fotografia, teatro de bonecos e cidadania, que estimula a garotada a pensar com o artifício da arte. O projeto deve acabar em julho deste ano, quando termina o apoio dado pelo BNDES. Os voluntários vão procurar parceiros para manter o trabalho já desenvolvido por eles.