Os crimes contra o patrimônio tiveram queda expressiva no Paraná durante o primeiro ano da pandemia de covid-19, enquanto dois tipos de crimes contra a pessoa, homicídio e violência doméstica, apresentaram índices muito parecidos com o do ano anterior. As estatísticas fazem parte de um levantamento feito pelo Centro de Análise, Planejamento e Estatística (Cape) da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) a pedido da reportagem.

Dos sete tipos de crimes que tiveram números comparados entre o período imediatamente anterior à pandemia, de 15 de março de 2019 a 14 de março de 2020, e o do primeiro ano pandêmico, de 15 de março de 2020 a 14 de março de 2021, todos os quatro enquadrados como crimes contra o patrimônio (roubo, furto, roubo de veículo e furto de veículo) tiveram reduções superiores a 15%. O tipo de ocorrência com maior queda foi roubo, com retração de 40%.

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Já entre os crimes contra a pessoa analisados pelo Cape, apenas estupro apresentou queda expressiva nos registros, com retração de 21% entre março de 2020 e março de 2021 na comparação com o mesmo período entre 2019 e 2020. As ocorrências de violência doméstica e homicídios também tiveram redução, mas em patamares bem inferiores – respectivamente, 3% e 1%.

Clara Maria Roman Borges, pesquisadora do Grupo Direitos Humanos e Vulnerabilidades, do Núcleo de História, Direito e Subjetividade e do Núcleo de Estudos Criminais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), salienta que uma explicação para essas variações exigiria um desdobramento dos dados da Sesp, mas ela aponta algumas hipóteses.

“A respeito da queda dos crimes contra o patrimônio, as pessoas estão isoladas e com dificuldade de locomoção, inclusive pela questão econômica. Não estão saindo tanto de casa, então fica mais difícil alguém entrar na residência para furtar, e por não estarem saindo muito, não estão deixando o carro na rua”, explica.

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A pesquisadora acredita que a grande redução de casos de estupro e a estabilidade dos registros de violência doméstica podem estar relacionadas à subnotificação. “Crimes contra a mulher geralmente aumentam com os casais ficando mais em casa, com maior proximidade pode haver mais atrito, em um país historicamente machista como o nosso. E pelas pessoas ficarem mais em casa, a notificação do crime fica mais difícil, a vítima tem dificuldade para sair, e nós sabemos que muitas situações de violência sexual acontecem dentro de casa”, argumenta.

Sobre os números de homicídios, Borges especula que o indicador pode ter se mantido estável devido ao estresse coletivo gerado pela pandemia. “Em tese, com as pessoas circulando menos, menos brigas de bar, os homicídios deveriam ter caído bastante, como os crimes contra o patrimônio. Mas a situação que vivemos coloca as pessoas no limite, a gente vê que as pessoas estão agressivas por causa desse momento de crise sanitária e econômica”, diz a pesquisadora.

Operações integradas visam cumprimento de decretos

A Sesp aponta que, no período analisado, aumentou o efetivo nas ações rotineiras de patrulhamento preventivo e ostensivo. Além disso, desde o início da pandemia, a pasta vem reforçando, em parceria com órgãos estaduais e federais, a fiscalização e monitoramento das divisas com outros estados.

A secretaria informa ainda que as forças de segurança pública estaduais também têm realizado fiscalizações em parceria com fiscais das prefeituras e as guardas municipais, por meio da Ação Integrada de Fiscalização Urbana (Aifu), para assegurar o cumprimento dos decretos estaduais com medidas restritivas ao funcionamento de estabelecimentos e à circulação de pessoas – o chamado toque de recolher. As ações incluem trabalho de conscientização sobre uso de máscara, álcool em gel, limpeza do ambiente de trabalho, limpeza de viaturas e de materiais.

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“Tão logo a gente começou a perceber que a pandemia veio para ficar não a curto prazo, a segurança pública se organizou para ajudar o governo do estado, ajudar a saúde. Fomos acompanhando e tivemos como referência os decretos que o governador foi emitindo, para que na prática, na rua, a gente pudesse orientar a população. A palavra sempre foi orientação, respeito, gerar gentileza, uma troca, os policiais foram às ruas para cumprir o decreto, evitar aglomeração, orientar o pessoal que tinha que respeitar os horários, evitar a madrugada, o problema com bebida, com balada, trânsito, lesão corporal”, afirma o secretário da segurança pública, Romulo Marinho Soares.

“A população colabora, é educada. É claro que um universo muito pequeno é desordeiro, é insensível, não quer cumprir, mas a gente com o nosso jeitinho faz esse pessoal cumprir”, acrescenta.

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